Ataques de Israel no sul do Líbano deixam mortos e feridos e ameaçam trégua com o Hezbollah

Menos de 24 horas após o anúncio de um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, ataques aéreos israelenses no sul do Líbano mataram 16 pessoas neste sábado (20), segundo a Defesa Civil libanesa. A retomada da violência ameaça fragilizar o memorando de entendimento assinado na quarta-feira entre Irã e Estados Unidos.

20 jun 2026 - 07h26
(atualizado às 08h09)
Fumaça sobe no sul do Líbano após ataque israelense. A imagem é vista do lado israelense da fronteira entre Israel e Líbano, no norte de Israel, em 20 de junho de 2026.
Fumaça sobe no sul do Líbano após ataque israelense. A imagem é vista do lado israelense da fronteira entre Israel e Líbano, no norte de Israel, em 20 de junho de 2026.
Foto: REUTERS - Avi Ohayon / RFI

As equipes de resgate, mobilizadas "desde as primeiras horas da manhã" na região de Nabatieh, transportaram "16 mortos e 12 feridos" para hospitais, informou a Defesa Civil em comunicado. Os ataques ocorreram após uma trégua anunciada na véspera, o que levanta dúvidas sobre a capacidade de sustentar o cessar-fogo no terreno.

O exército israelense afirmou que os bombardeios foram uma resposta ao disparo de mais de 50 projéteis pelo Hezbollah durante a noite. Um oficial militar indicou que, diante desses ataques, forças israelenses atingiram alvos do grupo no sul do Líbano. O exército acrescentou que, caso o Hezbollah respeite o cessar-fogo, a estabilidade pode ser restabelecida na região.

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Do lado libanês, militares afirmaram que os ataques contínuos de Israel podem comprometer os esforços para restaurar a estabilidade no país. Um alto responsável do Hezbollah declarou à Reuters que o grupo não permitirá "liberdade de movimento" para Israel em territórios que considera ocupados. Um soldado libanês também morreu em bombardeios, segundo a imprensa estatal.

Negociações entre EUA e Irã

O cessar-fogo no Líbano é visto como condição essencial para avançar nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que devem durar 60 dias e abordar, entre outros temas, o programa nuclear iraniano. Um acordo mais amplo também é considerado decisivo para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo. O Irã obriga os navios que desejam usar essa via estratégica a seguir um novo itinerário e a apresentar um pedido de trânsito com 48 horas de antecedência.

Nesse contexto, o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, está a caminho da Suíça para participar das negociações com o Irã, segundo o site Axios. O secretário de Estado americano também deve se juntar às conversas. Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, já está no país.

Os representantes americanos buscam transformar um acordo provisório de 14 pontos, concluído há poucos dias, em um entendimento regional mais duradouro. As negociações ocorrem em um momento de forte tensão, marcado pela persistência dos confrontos e pela incerteza sobre a consolidação de uma trégua no terreno.

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Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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