Ataques ao porto de Fujairah e ao campo de gás de Shah agravam disrupção no mercado de energia

17 mar 2026 - 08h47

O carregamento de petróleo no porto de Fujairah, nos ‌Emirados Árabes Unidos, foi pelo menos parcialmente interrompido nesta terça-feira, depois que o terceiro ataque em quatro dias causou um incêndio no terminal de exportação, enquanto as operações no campo de gás Shah permaneceram suspensas também após um ataque.

As interrupções em cascata ameaçam bloquear completamente o canal remanescente ⁠de exportação de petróleo bruto do produtor da Opep para os mercados ‌globais, potencialmente aprofundando uma crise que fez com que os preços da energia subissem.

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Os outros centros de exportação dos Emirados Árabes Unidos estão ‌localizados no Golfo, que foi efetivamente isolado do ‌mundo pelo estrangulamento pelo Irã do Estreito de Ormuz, uma ⁠via navegável estreita entre o Irã e Omã, por onde normalmente fluía um quinto do suprimento mundial de petróleo.

A produção diária de petróleo bruto do terceiro maior produtor da Opep caiu em mais da metade desde o início do conflito, com o fechamento efetivo do estreito forçando a gigante ‌estatal do petróleo Adnoc a implementar amplas interrupções na produção, informou a ‌Reuters.

O carregamento de petróleo bruto ⁠da Adnoc continua ⁠suspenso em Fujairah, disse uma fonte familiarizada com a situação.

Fujairah, que fica fora do ⁠estreito e normalmente é a saída ‌para mais de 1 ‌milhão de barris por dia do petróleo bruto Murban da empresa estatal, ainda está operando, mas com capacidade reduzida, de acordo com Kpler.

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Em paralelo, um projétil desconhecido atingiu um navio-tanque com bandeira do Kuweit ⁠a 23 milhas náuticas a leste de Fujairah nesta terça-feira, informou a United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO).

Os Estados árabes do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos, enfrentaram mais de 2.000 ataques de mísseis e drones desde o início da guerra entre ‌EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, atingindo missões diplomáticas e bases militares dos EUA, bem como infraestrutura de petróleo, portos, ⁠aeroportos, navios e edifícios residenciais e comerciais.

O ataque de segunda-feira ao campo de Shah -- localizado a cerca de 180 km a sudoeste de Abu Dhabi e um dos maiores campos de gás azedo (sour gas) do mundo -- aumenta as interrupções no setor de energia dos Emirados Árabes Unidos.

O campo, que é operado pela Adnoc em uma joint venture com a Occidental Petroleum, fornece pelo menos 500 milhões de pés cúbicos de gás diariamente para a rede doméstica. As operações foram encerradas enquanto os danos eram avaliados e não houve registro de feridos, informou o Escritório de Imprensa de Abu Dhabi.

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