Um ataque dos houthis ao aeroporto King Khalid, em Riade, deixou 12 mortos e 309 feridos, forçando a suspensão das operações no local. Considerado o atentado mais letal na Arábia Saudita em mais de uma década, o episódio ocorreu em meio a um importante congresso global de energia. A ação foi condenada pela ONU e pela União Europeia como violação do direito internacional, enquanto os Estados Unidos avaliam se juntar aos ataques militares sauditas contra o grupo iemenita.
Os houthis afirmam que os aeroportos e o espaço aéreo sauditas continuam sendo alvos potenciais de operações militares e advertiram que o reino seria responsabilizado por qualquer tentativa de interceptação que falhasse. As novas ameaças surgem no momento em que a Arábia Saudita realiza um importante congresso internacional de energia em Riade.
O Ministério de Energia da Arábia Saudita anunciou que o 25º Congresso Mundial de Energia (WPC Energy Congress), com duração de cinco dias, teve início no domingo, contando com a participação confirmada de mais de 70 ministros, 300 executivos de empresas e representantes de mais de 25 organizações internacionais do setor energético, segundo a televisão estatal.
O ataque de sábado - o terceiro contra o aeroporto King Khalid de Riade em uma semana e o mais letal em mais de uma década no reino - deixou pelo menos 12 mortos e 309 feridos, segundo as autoridades sauditas. Entre as vítimas estão quatro sauditas, dois bengaleses e um cidadão dos Estados Unidos, além de um jordaniano, um palestino, um sírio, um sudanês e um egípcio.
A autoridade de aviação civil saudita declarou que as operações do aeroporto foram temporariamente suspensas enquanto são realizadas avaliações dos danos e das condições de segurança, sem especificar quando os voos seriam retomados.
Reações da comunidade internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado que o ataque é "inaceitável". Washington considera juntar-se aos ataques sauditas contra os houthis e uma decisão deve ser tomada rapidamente após esse ataque letal, completou.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ter ficado "profundamente chocado". "Ataques contra civis e infraestruturas civis constituem uma violação do direito internacional. Esses ataques devem cessar imediatamente", acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu para uma "escalada perigosa" e declarou que o grupo apoiado pelo Irã deve cessar seus ataques contra alvos civis.
"Esses ataques realizados por grupos aliados ao Irã arrastam a região para uma espiral de violência. Eles desestabilizam infraestruturas essenciais para o transporte global e o abastecimento de energia, provocando ondas de choque em todo o mundo", ressaltou. A União Europeia expressa sua "solidariedade com a Arábia Saudita", complementou.
Aumento de ataques
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, por sua vez, condenou o ataque como um "ato de terror terrível". "Não pode haver qualquer justificativa para ataques indiscriminados contra civis e infraestruturas civis", escreveu ela nas redes sociais.
O ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul, também "condena veementemente" o ataque, considerado "ato terrorista contra a Arábia Saudita e a aviação civil".
A magnitude e a frequência dos disparos contra Riade nos últimos dias não têm precedentes desde 2014 e o início da guerra no Iêmen, que opõe os houthis às forças governamentais iemenitas - apoiadas militarmente por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, a partir de 2015.