Trump volta a defender Putin e reitera que Zelensky 'não quer acordo' para fim da guerra na Ucrânia

O presidente americano, Donald Trump, afirmou neste sábado (10) que o líder russo Vladimir Putin gostaria de fechar um acordo para encerrar a guerra com a Ucrânia e acusou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de resistir a um compromisso. A declaração foi dada horas depois de Trump criticar duramente Zelensky e defender que a Ucrânia "tenha um novo presidente".

11 out 2026 - 04h48
(atualizado às 04h53)
Resumo
Donald Trump defendeu Vladimir Putin e acusou Volodymyr Zelensky de recusar a paz, sugerindo que a Ucrânia precisa de um novo líder. A declaração ocorreu após os EUA fecharem um acordo controverso para comprar diesel russo e conter a alta dos combustíveis domésticos. Zelensky chamou a medida de fraca por financiar a máquina de guerra russa, enquanto Moscou intensifica ataques fatais contra civis ucranianos e danifica a infraestrutura de energia em cidades como Kiev e Zaporíjia.

"Acho que a Rússia gostaria de fechar um acordo, e conversamos sobre isso várias vezes. Mas, por um motivo ou outro, Zelensky não quer fechar um acordo", declarou Trump a jornalistas. "O presidente Putin gostaria muito de ver uma solução", respondeu, ao ser questionado sobre o que o presidente russo disse a ele durante a última ligação entre ambos, na sexta-feira (9).

Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a entrar na mira de críticas de Donald Trump após nova conversa entre líder americano e o russo Vladimir Putin. (22/09/2026)
Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a entrar na mira de críticas de Donald Trump após nova conversa entre líder americano e o russo Vladimir Putin. (22/09/2026)
Foto: © Bing Guan / Reuters / RFI

Mais cedo, ao defender que os ucranianos "tenham um novo líder capaz de chegar a um acordo", Trump voltou a condenar os ataques de Kiev a refinarias russas, que segundo ele "apenas agravam o problema global" de escassez de diesel.

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"É melhor ele parar", alertou o americano. A advertência ocorre um dia após o anúncio de um acordo controverso entre Moscou e Washington para a compra em massa de diesel russo.

Acordo de diesel entre EUA e Rússia

O acordo é visto como uma forma de aliviar parcialmente a disparada dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, iniciada em fevereiro com o início da guerra liderada Donald Trump e Israel contra o Irã. O diálogo com a Rússia, apesar das sanções ocidentais em vigor contra Moscou, acontece a menos de um mês de eleições legislativas cruciais para o restante do mandato do bilionário americano.

Kirill Dmitriev, o principal negociador econômico de Vladimir Putin, classificou como "históricas" as declarações de Donald Trump sobre o abandono de seu apoio ao presidente ucraniano. Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, afirmou que Volodymyr Zelensky "conta com o apoio do povo ucraniano" e "merece ser apoiado".

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, manifestou, por sua vez, sua "total solidariedade" ao presidente ucraniano durante uma conversa telefônica entre os dois líderes.

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Reação de Kiev 

Volodymyr Zelensky classificou o acordo russo-americano como uma "decisão fraca" por parte dos Estados Unidos e uma oportunidade lucrativa para a Rússia reabastecer seus cofres e financiar sua guerra.

Segundo Washington e Moscou, a Rússia deve fornecer 300 mil toneladas de diesel aos Estados Unidos e ao mercado mundial a partir de outubro, aumentando posteriormente essas entregas para 1 milhão de toneladas em dezembro.

O Kremlin afirmou no sábado que o presidente russo, Vladimir Putin, "recebeu com compreensão" as propostas americanas de "medidas visando à desescalada" na Ucrânia durante a conversa telefônica com seu homólogo americano, sem fornecer mais detalhes.

Zelensky também denunciou os novos ataques russos que deixaram 21 mortos no sábado, quase todos em Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia. "A Rússia expressou seus agradecimentos pelo levantamento das sanções às exportações de diesel lançando cinco bombas contra prédios residenciais em Zaporíjia", declarou ele.

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Escalada de ataques russos 

Moscou intensificou seus ataques contra o território ucraniano nos últimos meses, causando um número crescente de vítimas civis. Explosões foram ouvidas no sábado em Kiev, onde ataques russos causaram cortes de energia em massa e a suspensão temporária do funcionamento do metrô - uma prévia do que aguarda os moradores da cidade neste inverno.

Seis pessoas ficaram feridas nesses ataques ocorridos em plena luz do dia. Cinco foram hospitalizadas, informou o prefeito da capital, Vitali Klitschko.

Volodymyr Zelensky disse ter discutido "as dificuldades decorrentes do abrandamento das sanções sobre produtos petrolíferos" russos por telefone com seu homólogo francês, Emmanuel Macron. O Palácio do Eliseu não reagiu ao anúncio do acordo entre Washington e Moscou.

Principal aliado militar de Kiev, Berlim limitou-se a "tomar nota" da decisão americana, e reafirmou seu apoio a Kiev.

Com AFP

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