Arábia Saudita retoma carregamentos e vendas de petróleo a partir do Estreito de Ormuz

18 ago 2026 - 07h55
(atualizado às 08h32)

A Saudi Aramco retomou ‌o carregamento de petróleo no interior do Estreito de Ormuz na semana passada e tem mais petroleiros aguardando carregamento, à medida que a gigante estatal do setor energético oferece cargas spot de petróleo bruto pesado, de acordo com dados de transporte marítimo e fontes do setor.

Na segunda-feira, a maior exportadora mundial de petróleo ofereceu a algumas refinarias asiáticas cargas ⁠de petróleo bruto "Arab Medium" e "Arab Heavy" para embarque por meio de transferências de navio para navio ‌ao largo de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, ainda neste mês.

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A empresa havia suspendido as vendas por semanas após ataques à sua frota de petroleiros no Estreito de Ormuz, ‌durante uma escalada do conflito entre os Estados Unidos ‌e o Irã no mês passado.

A retomada das exportações sauditas pode ajudar a ⁠aliviar a escassez de tipos mais pesados de petróleo, que produzem mais combustível residual — o qual pode ser usado para reabastecer navios ou ser processado posteriormente em refinarias para produzir combustíveis de maior qualidade, como gasolina e diesel.

Três superpetroleiros (VLCCs) — Malaysia Prosperity, Algeria Prosperity e Singapore Prosperity — carregaram 2 milhões de barris de petróleo bruto cada um nos terminais de Juaymah ‌e Ras Tanura entre 12 e 16 de agosto.

Dados das empresas de rastreamento de navios Vortexa ‌e Kpler mostraram um intervalo ⁠de três semanas desde ⁠o último carregamento nos portos. Não ficou claro imediatamente quais tipos de petróleo os petroleiros estavam transportando.

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A ⁠Saudi Aramco se recusou a comentar. A Sinokor, ‌proprietária dos petroleiros, não respondeu ‌a um pedido de comentário.

Mais seis VLCCs poderiam carregar petróleo saudita de dentro do estreito ainda este mês, segundo dados provisórios da Kpler.

Operadores do mercado afirmaram que a Saudi Aramco poderia utilizar petroleiros sauditas para a travessia do Estreito de Ormuz, além ⁠das embarcações da Sinokor.

Sete VLCCs de propriedade da operadora saudita Bahri estavam ancorados ao largo dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, enquanto outros dois se dirigiam para Fujairah, segundo dados de navegação divulgados pela LSEG nesta terça-feira.

No entanto, as exportações de petróleo sauditas continuam restritas, já que o país enfrenta um ‌bloqueio imposto pelos houthis, grupo militante do Iêmen, no Mar Vermelho, para onde a Aramco desviou suas exportações para o porto de Yanbu no início da guerra com o ⁠Irã.

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A produtora ofereceu cargas adicionais de petróleo bruto para embarque no porto egípcio de Sidi Kerir, no Mediterrâneo, como alternativa, mas o volume representa apenas uma fração do nível pré-bloqueio de 4 milhões de barris por dia exportados de Yanbu, enquanto custos adicionais de transporte e viagens mais longas estão desestimulando as compras.

Estima-se que cerca de 670 mil barris por dia de petróleo bruto do Oriente Médio sejam carregados no porto de Sidi Kerir com destino à Ásia neste mês, segundo dados da Kpler, contra zero nos três meses anteriores.

"Isso mostra que a oferta de Sidi Kerir para a Ásia provavelmente não está funcionando, já que seus clientes asiáticos, pelo menos os chineses, não estão satisfeitos com as longas viagens e o alto custo de frete", disse Emma Li, analista de mercado da Vortexa para a China.

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