O papa Leão XIV, de 71 anos, recupera-se no hospital Gemelli após cirurgia de 90 minutos para remover parte do pulmão direito devido a um adenocarcinoma detectado precocemente. O Vaticano suspendeu a agenda pública do pontífice norte-americano até 20 de outubro e mantém cautela enquanto aguarda novos exames para checar se o tumor se espalhou. Apesar do prognóstico médico inicial positivo, a primeira hospitalização do líder católico gera apreensão e incertezas sobre o futuro de seu pontificado.
O Vaticano informou que Leão XIV "passou uma noite tranquila" no hospital, após a cirurgia realizada na véspera. Ele deve permanecer em repouso por cerca de uma semana, e todos os seus compromissos públicos foram suspensos até 20 de outubro.
Um adenocarcinoma, tipo frequente de câncer de pulmão, havia sido identificado durante um exame de rotina do sumo pontífice. Durante a cirurgia, parte do pulmão direito do papa foi removida. Agora, o Vaticano aguarda os resultados de novos exames para determinar se o tumor se espalhou.
Robert Francis Prevost, seu nome civil, é o primeiro papa norte-americano. O pontífice de 71 anos, conhecido por seu estilo de vida ativo e esportivo, surpreendeu a todos ao anunciar, após as orações de domingo (11), que passaria pela cirurgia.
A operação foi realizada no hospital Gemelli, em Roma, e durou 90 minutos. Logo após o procedimento, o Vaticano informou que ele "acordou normalmente". Esta é a primeira hospitalização de Leão XIV desde que ele se tornou papa, em 8 de maio de 2025.
Historicamente, o Vaticano mantém grande sigilo sobre a saúde dos pontífices, mas passou a ser mais transparente durante a enfermidade do antecessor, Francisco, que falava abertamente sobre suas condições de saúde.
Diagnóstico precoce ajuda na recuperação
Especialistas afirmaram que o prognóstico dependeria muito do estágio do câncer e se ele havia se espalhado, mas o Vaticano informou que a doença foi identificada precocemente e estava localizada.
"Quando detectado nos estágios iniciais, o prognóstico é muito bom; é isso que esperamos e pelo que rezamos em relação ao papa Leão", disse à AFP Juanita Mora, porta-voz médica da Associação Americana do Pulmão. Na capela do hospital, dezenas de fiéis rezaram pela saúde do sumo pontífice durante a operação.
"O hospital está fazendo todo o possível para ajudá-lo a melhorar, então esperamos que ele se recupere logo", disse a estudante Chiara Ruvolo, do lado de fora do hospital, ao norte do Vaticano, onde era possível ver uma faixa com os dizeres "Viva o papa!".
Leão XIV está hospedado em um quarto no 10º andar do edifício, ao lado de uma suíte papal com capela privativa, que passa atualmente por reformas.
O professor Federico Venuta, chefe de Cirurgia Torácica do hospital Policlinico Umberto I, em Roma, disse esperar que Leão XIV já esteja de pé e em movimento. "Geralmente, no primeiro dia, os pacientes submetidos a esse tipo de procedimento voltam a se mover imediatamente", esclareceu.
Clima de incerteza e apreensão
A notícia surpreendente de sua doença é acompanhada com apreensão pela Igreja Católica, segundo observadores do Vaticano. "A Igreja vive agora um momento de incerteza. Quando Leão foi eleito, todos previam um longo pontificado", avalia o especialista Marco Politi, que cobre Roma há décadas.
Hendro Munsterman, teólogo e analista do jornal holandês Nederlands Dagblad, afirma que se trata de "uma nova fase". "Temos um papa que todos descreviam como jovem, ativo e atlético... Agora, temos um papa que também possui suas vulnerabilidades, o que mudará sua imagem", disse ele. "Isso pode levá-lo a acelerar certas questões", como nomeações de pessoal.
Antes da cirurgia, um analista ouvido pela revista francesa Marianne indicou que Roma vive um clima de "pré-conclave". No entanto, a posição oficial do Vaticano é de cautela e otimismo pela boa recuperação de Leão XIV.
RFI com agências