Desde 2023, ano em que ultrapassou Botsuana, a Rússia mantém o título de maior produtora mundial de diamantes brutos em valor. O país chegou a produzir quase o dobro de diamantes brutos de seus concorrentes mais próximos.
Na prática, de acordo com as estatísticas divulgadas no início do mês pelo Processo de Kimberley, a Rússia extraiu 31,5 milhões de quilates no ano passado, com valor total de US$ 2,72 bilhões, o que corresponde a um preço médio de US$ 86 por quilate.
O desempenho é notável, sobretudo devido às sanções ocidentais. Desde 1º de janeiro de 2024, os países do G7 proíbem a importação de diamantes extraídos na Rússia, e a União Europeia sancionou a gigante russa Alrosa, maior produtora mundial do setor, responsável por cerca de um quarto do mercado global.
Técnicas sofisticadas para driblar as sanções
Como ocorre com outros produtos, a Rússia desenvolveu um sistema sofisticado para contornar essas restrições. Segundo uma investigação conduzida por um veículo de imprensa independente e uma ONG russa, Moscou se beneficia de uma importante brecha: a proibição não se aplica aos diamantes que já estavam em território europeu ou em países terceiros antes de 1º de janeiro de 2024, nem às pedras lapidadas fora da Rússia antes dessa data.
Criada para proteger investidores, essa exceção acabou permitindo que muitos diamantes russos fossem lapidados em outros países, mudassem oficialmente de origem e encontrassem acesso a mercados que, em teoria, deveriam permanecer fechados para eles. A Armênia é apontada pela OCCRP, organização internacional de jornalismo investigativo, como um dos países que facilitam a entrada dos diamantes russos nesses mercados.
Redução da produção em um setor considerado instável
Ainda assim, o cenário está longe de ser totalmente favorável para a Rússia e para a Alrosa.
Em primeiro lugar, porque a empresa suspendeu a exploração de diversos depósitos minerais nos últimos meses para reduzir custos em um contexto de desaceleração do setor. Segundo o jornal Kommersant, a produção russa de diamantes foi reduzida em 15,5% em 2025.
De acordo com os dados do Processo de Kimberley, trata-se da maior queda de produção entre os cinco principais países produtores de diamantes. A Rússia também ocupa o segundo lugar em redução das exportações.
As perspectivas para o setor diamantífero russo são avaliadas de maneiras distintas dentro do país, mas há alguns pontos de consenso entre os analistas citados pela imprensa russa: o setor continua instável, a concorrência dos diamantes sintéticos se intensifica e a popularidade dos diamantes naturais está em declínio em escala mundial.