O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse nesta quinta-feira que os EUA concentrarão os esforços internacionais de combate ao terrorismo no "terrorismo de extrema-esquerda", dizendo a autoridades de mais de 60 países que a violência de esquerda vinha sendo ignorada.
Uma conferência em Washington organizada por Rubio gerou preocupações entre os democratas de que o governo Trump esteja politizando os esforços antiterrorismo e desviando recursos do combate ao extremismo em outras frentes.
Em um discurso, Rubio afirmou que a ameaça do extremismo islâmico foi "severamente reduzida" graças a esforços internacionais coordenados, mas que o aumento da violência de esquerda era um "ponto cego".
"Podemos e devemos identificar e mapear essa ameaça e reconstruir nossa estrutura de combate ao terrorismo para derrotá-la", disse Rubio, citando uma ameaça transnacional de grupos que odeiam o Ocidente e têm como alvo seus políticos e infraestrutura.
A conferência marca o esforço mais significativo da administração Trump até o momento para internacionalizar um enfoque antiterrorista que, segundo críticos, não é respaldado por dados, levantando dúvidas sobre se os recursos serão desviados do monitoramento do extremismo islâmico e da violência de extrema-direita.
O presidente Donald Trump tornou o combate aos grupos de esquerda uma prioridade. Trump destacou o movimento antifa durante a campanha eleitoral de 2024 e prometeu tomar medidas contra grupos de esquerda que acusa de fomentar a violência após o assassinato do ativista conservador e aliado de Trump Charlie Kirk, no ano passado.
O governo Trump organizou um workshop com autoridades de segurança pública em maio para discutir a ameaça dos grupos de extrema-esquerda e co-organizará um segundo workshop com a Alemanha, disse Rubio.
"Ou cooperaremos além de nossas fronteiras, ou os terroristas continuarão a explorar as lacunas entre elas", disse Rubio. "Os Estados Unidos estão construindo a infraestrutura, a parceria e a estratégia para derrotar o flagelo do terrorismo de extrema-esquerda."
Desde novembro, Washington designou quatro grupos europeus — Antifa Ost, Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional, Justiça Proletária Armada e Autodefesa de Classe Revolucionária — como Organizações Terroristas Estrangeiras, oferecendo recompensas de até US$10 milhões por informações sobre seu financiamento.
O Tesouro dos EUA está ampliando as investigações sobre o uso de estruturas beneficentes e sem fins lucrativos para ocultar influência estrangeira e facilitar a violência, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, na conferência nesta quinta-feira.
"EXTREMISTAS DENTRO DO GOVERNO"
Onze parlamentares democratas escreveram a Rubio na quarta-feira questionando as evidências para o novo foco em grupos de esquerda e chamaram a estratégia antiterrorista da Casa Branca de maio — que não mencionava grupos neonazistas ou de extrema-direita — de "documento politicamente partidário".
A carta, obtida pela Reuters, referia-se às preocupações de que designar grupos como organizações terroristas de extrema-esquerda corria o risco de atingir protestos legítimos e oponentes políticos.
"Instamos veementemente o Departamento (de Estado) a voltar seu foco para um conjunto de missões sérias que, por definição, seja apolítico, baseado em dados e enraizado na realidade, em vez de simplesmente endossar as prioridades políticas de extremistas dentro do governo, cujas visões e políticas colocam a segurança nacional dos EUA - e o povo norte-americano - em risco", escreveram os parlamentares.
Entre os parlamentares estavam o deputado Gregory Meeks, principal democrata na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, e William Keating, da subcomissão para a Europa.
O Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a carta.
Na conferência, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, disse que os esquerdistas eram movidos por "inveja e ódio" e ridicularizou os manifestantes antifa, dizendo que "todos são de alguma forma deformados, seja na aparência, no vestuário ou nos maneirismos".
"Por que não há uma única pessoa com aparência normal entre eles? Cada um deles, ao longo de sua vida e de suas decisões, marcou seu corpo e sua aparência de muitas maneiras diferentes, a ponto de sua aparência externa se tornar uma manifestação de seu ódio interior", disse Miller.
Rubio em seu discurso citou os danos à propriedade e os saques ocorridos durante as manifestações após a morte de George Floyd pelas mãos da polícia em 2020 como um exemplo de violência de esquerda que havia sido ignorada, argumentando que centros de pesquisa e jornalistas frequentemente concordam com os objetivos dos militantes de esquerda.
Rubio também afirmou que grupos de esquerda colaboram com Estados estrangeiros hostis aos EUA, citando redes de representantes do Irã como "cada vez mais intimamente ligadas a grupos militantes de esquerda em todo o mundo", embora não tenha apresentado evidências de tais ligações. Ele também acusou os líderes comunistas de Cuba de terem "ajudado a construir a extrema-esquerda" nos Estados Unidos, sem apresentar evidências para sustentar a alegação.