"A França continuará demonstrando compostura, calma e determinação, para ser confiável para nossos parceiros, proteger nossos cidadãos e defender nossos interesses e nossa segurança", reagiu Macron, em uma entrevista coletiva durante a visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Paris. O presidente francês indicou que conversaria com o primeiro-ministro iraquiano "no início desta tarde".
O Ministério das Forças Armadas confirmou que sete soldados franceses ficaram feridos em um ataque com drone na região de Erbil, no Curdistão iraquiano, área onde tropas da França atuam desde 2015 no combate ao grupo Estado Islâmico.
Apesar de ter recebido atendimento médico imediato, o suboficial Arnaud Frion, do 7º Batalhão de Caçadores Alpinos de Varces, não resistiu aos ferimentos. Ele estava em missão no Iraque desde o final de janeiro. Os outros seis soldados feridos na ofensiva permanecem hospitalizados. O Ministério acrescentou que está providenciando a repatriação dos militares para a França.
Arnaud Frion foi atingido por um drone Shahed, um equipamento de longo alcance projetado pelos iranianos. As autoridades francesas ainda não identificaram os responsáveis pelo ataque. O comandante de montanha, de 42 anos, havia sido enviado para diversas missões ao longo de sua carreira, como para o Chade, o Afeganistão e várias vezes para o Mali, segundo o Exército francês.
Interesses da França sob ameaça
Sem reivindicar diretamente a responsabilidade pelo ataque, um grupo armado pró-Irã, o Ashab al-Kahf, ameaçou nesta sexta-feira atacar todos os interesses franceses no Iraque e na região, citando o envio do porta-aviões francês Charles de Gaulle, que chegou ao Mediterrâneo Oriental, e seu envolvimento nas operações.
A França tenta evitar ser arrastada para o conflito. Nenhuma medida retaliatória foi anunciada até agora, um sinal da cautela das autoridades diante de uma situação potencialmente explosiva. Paris também se absteve de acusar diretamente o Irã ou qualquer um de seus aliados na região.
O presidente Emmanuel Macron tem enfatizado repetidamente que a postura da França é puramente defensiva, para proteger os cidadãos franceses, bem como os países do Golfo e do Oriente Médio afetados pela resposta iraniana, alguns dos quais têm acordos de defesa com a França. O Exército francês, de fato, interceptou drones e mísseis direcionados a esses países desde o início do conflito.
"A França não faz parte desta guerra", afirmou Emmanuel Macron antes do ataque em Erbil.
Logo no início do conflito, um hangar em uma base francesa nos Emirados Árabes Unidos foi atingido por um drone, sem causar vítimas. Paris não especificou se considerou um dano colateral ou um alvo deliberado.
"Sobre a questão iraniana, é improvável, neste momento, que isso altere a posição política francesa sobre o conflito ou modifique nossa postura defensiva e nosso apoio aos nossos aliados", disse à AFP Elie Tenenbaum, diretor do Centro de Estudos de Segurança do Instituto Francês de Relações Internacionais. Ele prevê que o conflito ficará restrito às "milícias iraquianas mais radicais" aliadas ao Irã e se concentrará no fortalecimento da "segurança de nossas bases e interesses no exterior".
David Khalfa, cofundador do centro de pesquisa Atlantic Middle East Forum, analisa que este ataque, que provocou a morte de um soldado francês, representa "um verdadeiro dilema" para o país. "Não retaliar seria um sinal de grande fraqueza", mas "retaliar, mesmo de forma calculada, acarreta o risco de sermos vistos como cúmplices de uma guerra contra a nossa vontade" e "as coisas podem escapar do nosso controle", explicou ele à AFP, reconhecendo, porém, que as represálias são inevitáveis a longo prazo.
"Isto revela as limitações de uma postura defensiva em um conflito que se torna cada vez mais internacional e se expande a cada dia", enfatizou o pesquisador.
Com AFP