A IEA alertou que a oferta global de petróleo cairá 6% em 2026, adiando a retomada dos fluxos do Golfo para 2027 devido aos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. Ataques a rotas e refinarias levaram o barril a quase US$ 110 e derrubaram a produção saudita ao menor nível em mais de 30 anos. Embora os altos preços reduzam a demanda global em 2,5 milhões de barris diários, a oferta cai em ritmo mais acelerado, forçando estoques a mínimas históricas e elevando o risco de aperto no mercado de energia.
A oferta e a demanda globais de petróleo devem cair mais do que o previsto anteriormente neste ano, afirmou a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) nesta sexta-feira, já que a falta de progressos para o fim do conflito no Oriente Médio adia o retorno dos fluxos normais de petróleo do Golfo até 2027 e faz com que os preços dos combustíveis disparem.
A oferta mundial em 2026 deve agora diminuir em 5,7 milhões de barris por dia, ou aproximadamente 6%, informou a IEA, em um relatório mensal. Esse valor representa um aumento em relação à queda de 4% prevista anteriormente.
Um aumento nos ataques a petroleiros nas rotas marítimas do Oriente Médio contribuiu para que os preços do petróleo bruto se aproximassem dos US$110 por barril nesta semana, pela primeira vez desde maio.
Os produtos refinados tiveram alta ainda mais acentuada, com combustíveis como o diesel atingindo níveis recordes, à medida que o conflito no Oriente Médio e entre a Rússia e a Ucrânia prejudica as refinarias de petróleo.
Embora a demanda esteja enfraquecendo sob o peso dos preços altos dos combustíveis, a oferta está caindo ainda mais rapidamente, forçando os estoques a se esgotarem em um ritmo recorde. Os estoques globais caíram 3,1 milhões de bpd em agosto, informou a IEA, atingindo um nível visto pela última vez em 2023.
"Os estoques têm desempenhado, até o momento, um papel crucial no equilíbrio do mercado", afirmou a IEA.
"Com as reservas diminuindo e o sistema global de refino operando no limite, a necessidade de avanços na resolução do conflito no Oriente Médio -- e da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que já está em seu quinto ano -- é maior do que nunca para evitar um maior aperto no mercado."
PRODUÇÃO DA ARÁBIA SAUDITA ATINGE NÍVEL MAIS BAIXO EM MAIS DE TRÊS DÉCADAS
Ataques a instalações energéticas sauditas e um bloqueio dos EUA ao Irã reduziram a produção de petróleo do grupo de produtores Opep+, que caiu 1,8 milhão de bpd, para 38,8 milhões de bpd em agosto, segundo o relatório da IEA.
A IEA informou que a oferta de petróleo bruto da Arábia Saudita caiu 2,3 milhões de bpd, para 6 milhões de bpd em agosto, o nível mais baixo em mais de três décadas, após ataques terem interrompido as instalações e as rotas de transporte.
Grupos ligados aos houthis atacaram navios que passavam por Bab el-Mandeb, a refinaria de Jazan e o tráfego marítimo próximo a Yanbu, enquanto milícias apoiadas pelo Irã no Iraque utilizaram ataques com drones para atingir o complexo de processamento de petróleo de Abqaiq.
Os houthis, alinhados ao Irã, assumiram o controle do porto de Mocha, no Iêmen, na quinta-feira, representando uma ameaça adicional ao tráfego no Mar Vermelho.
DEMANDA CAI MAIS DO QUE ESPERADO, COM RECUPERAÇÃO PREVISTA PARA 2027
A demanda por petróleo também está caindo mais do que o esperado, em parte devido aos preços recordes dos combustíveis. A demanda mundial por petróleo cairá 2,5 milhões de bpd este ano, informou a IEA, acima da previsão anterior de um declínio de 1,6 milhão de bpd.
Em contrapartida, a Opep, grupo de produtores, ainda espera que a demanda mundial por petróleo cresça este ano, embora tenha reduzido sua previsão pela quinta vez consecutiva na quinta-feira. A Opep prevê um aumento da demanda de 380.000 bpd em 2026.
Ambos as organizações esperam uma recuperação no consumo de combustível no próximo ano. A IEA prevê que a demanda aumente em 2,6 milhões de bpd em 2027, e a Opep aponta para uma expansão semelhante de 2,36 milhões de bpd.