Ao circular a Lua, astronauta negro inspira milhões de pessoas

11 abr 2026 - 16h33
(atualizado às 16h37)

Aos 12 anos de idade, Naia Butler-Craig decidiu que ‌queria ser astronauta. Toda vez que ela entrava na St. Mark AME Church, em Orlando, Flórida, e via a foto emoldurada de Mae Jemison, a primeira mulher negra a viajar para o espaço, ela sabia que o espaço era seu objetivo final.

Cerca de 16 anos depois, como engenheira aeroespacial da Nasa com doutorado na mesma área, ela apertou a mão de Victor Glover, o primeiro homem negro a pilotar uma espaçonave ao ⁠redor da Lua, e disse a ele que estava seguindo seus passos.

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"A maioria das pessoas se preocupa em ‌fazer a escolha certa", disse ela, relembrando resposta de Glover em 17 de janeiro. "Faça a escolha certa."

Quase três meses depois, Glover foi lançado ao espaço, tornando-se uma das quatro pessoas a viajar mais longe ‌da Terra do que qualquer outro ser humano na história, como ‌parte da missão Artemis 2, da Nasa, ao redor da Lua.

Para Butler-Craig, foi uma afirmação de ⁠que seu caminho e as aspirações de milhões de negros norte-americanos, aos quais foi negado o acesso aos mais altos escalões de realizações acadêmicas e humanas devido à cor de sua pele, são possíveis.

"Vê-lo viver todas essas facetas da identidade ao mesmo tempo, quando são exatamente a tensão e as dicotomias constantes que estou enfrentando, é incrivelmente validador", disse ela sobre Glover. "Isso me faz sentir como se ele tivesse pavimentado a ‌estrada para alguém como eu."

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O CÉU NÃO É O LIMITE

Enquanto a gestão do presidente Donald Trump trabalha para ‌desmantelar os programas de diversidade, equidade ⁠e inclusão no governo e ⁠no setor privado, o voo histórico de Glover provocou uma onda de apoio nas mídias sociais. Muitos citaram seu poder ⁠simbólico e peso histórico em um longo arco de ‌conquistas negras na aviação e na exploração ‌espacial -- e a prova de que nem mesmo o céu é o limite.

"É uma fonte de orgulho e alegria porque quando você olha para o setor aeroespacial e a exploração espacial, sim, temos alguma representação, mas não temos representação suficiente", disse Tennesse Garvey, piloto de Boeing 777 da ⁠United Airlines.

Garvey preside a diretoria da Organization of Black Aerospace Professionals, um grupo sem fins lucrativos que treina e incentiva minorias a seguir carreiras no setor aeroespacial e de aviação desde 1976. Duas das filhas de Glover participaram do primeiro programa de uma semana da academia espacial da organização em Houston quando eram mais jovens, disse Garvey.

"É realmente inspirador para muitas outras ‌crianças pequenas que estão realmente sonhando com isso", disse ele.

Glover está entre os 20 astronautas negros selecionados pela Nasa desde que sua primeira turma de sete astronautas da Mercury foi anunciada em 1959, representando ⁠aproximadamente 6% de todos os astronautas escolhidos pela agência.

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Mesmo antes da viagem lunar de Glover, ele já havia passado quase cinco meses e meio em órbita, começando em 2020 como piloto do voo Crew-1 da Nasa, a primeira missão operacional da Estação Espacial Internacional usando a cápsula Crew Dragon da SpaceX.

Antes de ingressar na Nasa, ele pilotou mais de 40 aeronaves durante sua carreira na Marinha dos EUA, incluindo missões de combate no Iraque. Em sua carreira, ele acumulou cerca de 3.000 horas de voo e completou mais de 400 pousos em porta-aviões e 24 missões de combate.

Glover segue o legado de antigos aviadores negros, como o tenente-coronel John William Mosley Jr., membro da famosa Tuskegee Airmen, unidade militar segregada que ajudou a abrir caminho para os negros norte-americanos na aviação militar dos EUA.

Glover e sua tripulação mergulharam na sexta-feira no Oceano Pacífico, na costa de San Diego, concluindo uma missão que abre caminho para o primeiro pouso tripulado na Lua desde 1972, previsto para 2028.

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