Imagens que circulam na rede social X mostram policiais de choque, armados com escudos de proteção, bloqueando a passagem dos manifestantes que se dirigiam ao Palácio de Miraflores, no centro da capital. Os agentes utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar o grupo, segundo a AFP.
Os protestos têm sido raros na Venezuela desde a onda de repressão às manifestações da oposição ao então presidente Nicolás Maduro, que contestavam sua reeleição em 2024. Desde março, no entanto, trabalhadores e aposentados voltaram às ruas para reivindicar reajustes salariais.
Sindicatos e servidores denunciam "salários de miséria", congelados há quatro anos. Na quarta-feira, a presidente interina Delcy Rodríguez prometeu um "aumento responsável" dos salários, corroídos por anos de inflação elevada e pelo colapso econômico da última década.
"Anuncio que, no dia 1º de maio, implementaremos um aumento e que esse reajuste, como já indicamos, será responsável", afirmou Rodríguez em pronunciamento televisionado, sem detalhar os valores.
"Chega de mentiras sobre supostos aumentos salariais. Eles querem fazer passar um aumento nos bônus do governo como se fosse reajuste de salário", declarou à AFP Mauricio Ramos, aposentado de 71 anos.
Atualmente, o salário mínimo mensal na Venezuela equivale a US$ 0,27, em meio a uma inflação anual superior a 600%. Com os bônus estatais, a renda pode chegar a US$ 150, mas o valor ainda é insuficiente para cobrir o custo da cesta básica familiar, estimado em US$ 645.
Rodríguez foi a última vice-presidente de Nicolás Maduro até a captura do ex-chefe de Estado por militares dos Estados Unidos, em 3 de janeiro. Ao assumir a presidência interina, ela afirmou que os "erros" econômicos do passado precisavam ser "corrigidos".
Sob pressão de Washington, o novo governo adotou uma série de medidas, incluindo a aprovação de uma lei de anistia para a libertação de presos políticos e reformas no setor petrolífero, com abertura à propriedade privada.
Com AFP