Novos documentos do caso Epstein citam Trump, Gates, príncipe Andrew e Musk

Nesta nova divulgação de documentos relacionados ao caso Epstein, o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece repetidamente. Os documentos recém-divulgados contêm uma lista compilada pelo FBI, a polícia federal dos EUA, de alegações de agressão sexual contra o presidente americano, muitas das quais originadas de ligações anônimas e informações não verificadas.

31 jan 2026 - 14h28
(atualizado às 14h37)

Essas alegações, algumas obtidas por meio de fontes indiretas, foram transmitidas por telefone ou eletronicamente ao Centro Nacional de Gerenciamento de Ameaças do FBI.

Donald Trump, Melania Trump, Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell em Mar-a-Lago, na Flórida, em fevereiro de 2000.
Donald Trump, Melania Trump, Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell em Mar-a-Lago, na Flórida, em fevereiro de 2000.
Foto: © Getty - Davidoff Studios Photography / RFI

O documento sugere que os investigadores agiram com base em algumas dessas informações. Outras foram consideradas implausíveis.

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Donald Trump nega qualquer envolvimento nas atividades do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

"Alguns dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump", escreveu o Departamento de Justiça. "Essas alegações são infundadas e falsas", insistiu.

Bill Gates é citado em casos extraconjugais

Em um rascunho de e-mail incluído entre os documentos divulgados na sexta-feira, Jeffrey Epstein alegou que Bill Gates, cofundador da Microsoft, estava tendo casos extraconjugais.

O financista nova-iorquino afirmou que seu relacionamento com o bilionário lhe permitiria "ajudar Bill a conseguir drogas, lidar com as consequências do sexo com garotas russas e facilitar encontros ilícitos com mulheres casadas".

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Essa informação foi negada em um comunicado da Fundação Gates, que denunciou "acusações absolutamente absurdas de um mentiroso notório".

Fundador e CEO da Virgin

Os arquivos também mencionam a amizade de Jeffrey Epstein com o bilionário britânico Richard Branson, cofundador do Grupo Virgin. Em um e-mail enviado a Jeffrey Epstein em setembro de 2013, Branson escreveu: "Foi muito bom te ver ontem. Os caras do time de esportes aquáticos não param de falar sobre isso! Se você estiver por perto, adoraria te ver de novo. Contanto que traga seu harém!"

Um representante da empresa de Richard Branson declarou na sexta-feira que todo o contato que "Richard e Joan Branson [esposa de Richard, já falecida] tiveram com Epstein ocorreu apenas em algumas ocasiões, há mais de 12 anos" e se limitou a reuniões em grupo ou encontros de negócios, de acordo com reportagens da mídia americana. "Richard acredita que as ações de Epstein foram hediondas e apoia o direito à justiça para suas inúmeras vítimas", acrescentou o representante.

Elon Musk na ilha

Numerosas trocas de e-mails entre Jeffrey Epstein e o empresário Elon Musk aparecem em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça. Musk teria visitado uma das ilhas de Epstein.

Em novembro de 2012, Jeffrey Epstein enviou um e-mail a Elon Musk perguntando "quantas pessoas estarão no helicóptero para a ilha". "Provavelmente só eu e Talulah. Qual será o dia/noite da festa mais animada na sua ilha?", perguntou o bilionário.

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Jeffrey Epstein possuía duas ilhas no Caribe. Uma delas, segundo a acusação, é o local onde ele supostamente abusou sexualmente de várias mulheres e meninas menores de idade.

Elon Musk respondeu neste sábado (31) no X, afirmando que estava "plenamente ciente de que certas trocas de e-mails com (Epstein) poderiam ser mal interpretadas e usadas por detratores para manchar (seu) nome".

"Não me importo com isso, mas o que me importa é que pelo menos tentemos processar aqueles que cometeram crimes graves com Epstein, especialmente em relação à exploração abominável de menores", escreveu Elon Musk.

Príncipe Andrew é mencionado novamente

Já envolvido em vários escândalos e destituído de seus títulos reais, o ex-príncipe Andrew, do Reino Unido, aparece mais uma vez nestes documentos recém-divulgados.

Os documentos revelam que ele convidou Jeffrey Epstein para visitá-lo no Palácio de Buckingham em setembro de 2010, enquanto o financista estava viajando por Londres. Uma troca de e-mails mostra que Epstein contatou Andrew Mountbatten-Windsor para perguntar: "A que horas você gostaria que eu [...], também precisaremos de [...] algum tempo a sós". Ao que Andrew respondeu: "Poderíamos jantar no Palácio de Buckingham e desfrutar de muita privacidade".

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Este convite surgiu um mês depois de Epstein ter se oferecido para apresentar Andrew a uma russa de 26 anos, segundo os documentos. O ex-príncipe afirmou que "ficaria encantado em conhecê-la", mas não há indícios de que o encontro tenha de fato ocorrido.

Um Secretário de Comércio e o produtor de Forrest Gump

E-mails também mostram que Jeffrey Epstein e o empresário Howard Lutnick, atual Secretário de Comércio de Donald Trump, planejaram almoçar na ilha do financista em dezembro de 2012. "Estamos vindo de St. Thomas", escreveu a esposa de Howard Lutnick à secretária de Jeffrey Epstein, perguntando onde deveriam ancorar.

Diversos e-mails também sugerem que Jeffrey Epstein apresentou Steve Tisch, produtor de Forrest Gump e dono do time de futebol americano New York Giants, a várias mulheres. Em uma troca de mensagens com ele, o criminoso sexual condenado descreveu uma mulher como "russa, raramente diz a verdade, mas é divertida".

Quase 3,5 milhões de páginas divulgadas

No total, quase 3,5 milhões de páginas foram divulgadas pelo governo desde dezembro, em cumprimento a uma obrigação legal, afirmou o Procurador-Geral Adjunto Todd Blanche em uma coletiva de imprensa.

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"A divulgação de hoje marca o culminar de um processo muito minucioso de revisão e análise de documentos para garantir a transparência para o povo americano e o cumprimento da lei", enfatizou ele, lendo uma carta ao Congresso.

Com RFI e AFP

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