Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília
Com mais esses recursos, o TFFF passa a reunir US$ 6,8 bilhões. Para que comece a operar, são necessários US$ 10 bilhões, o que o governo espera que aconteça até 31 de dezembro deste ano.
Seis países haviam anunciado recursos soberanos para o fundo: Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França e Portugal. Agora, Luxemburgo se soma à lista. Cabe aos co-chair do fundo, o Brasil e a Noruega, correrem atrás dos mais de US$ 3 bilhões que faltam.
Se essa previsão de desembolsos pelos governos se confirmar, a ideia é que a primeira emissão de títulos ao setor privado para alavancar os valores investidos pelos governos aconteça em 2027 e que os países já dêem início às operações de monitoramento da cobertura florestal entre 2027 e 2028. Com isso, os detentores de florestas - inclusive o Brasil - já poderiam começar a receber os pagamentos entre 2028 e 2029.
Antes disso, para que o mecanismo saísse finalmente do papel, era necessário que o primeiro passo concreto, da conta em Luxemburgo, fosse dado. O anúncio acontece nesta sexta-feira em cerimônia na Filarmônica de Luxemburgo.
"O TFFF demonstra que o multilateralismo ainda pode oferecer soluções ambiciosas e inovadoras para os desafios globais. Num momento em que a cooperação internacional está sob pressão, o fundo reúne países do Norte e do Sul, bem como atores públicos e privados, em torno de um objetivo comum: tornar as florestas tropicais em pé economicamente valiosas", disse o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participa da cerimônia. "O que começou como uma proposta brasileira está agora se tornando uma iniciativa verdadeiramente global - uma iniciativa que estabelecerá uma presença importante em Luxemburgo por meio da sede de seu braço financeiro, o Fundo de Investimento em Florestas Tropicais".
Discussões em Bonn, antes da COP31
O TFFF é um mecanismo de financiamento para manter a floresta de pé, planejado para atrair investimentos e oferecer remuneração de mercado. A proposta é que seja um fundo ambicioso em recursos, necessário para que funcione e se diferencie de modelos que já existem.
O ano de 2026 será o da consolidação institucional do instrumento. Para o país anfitrião, a iniciativa ajuda a consolidá-lo como praça de emissão de fundos verdes.
O TFFF deve ser um das iniciativas incluídas no "roadmap" para o desmatamento zero, a ser discutido no âmbito das reuniões de preparação para a próxima Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas (COP31), na cidade de Bonn, na Alemanha, a partir da semana que vem. Essa será última série de reuniões técnicas antes da COP31, em novembro.
Se o modelo do TFFF funcionar, ele poderá ser replicado para várias outras funcionalidades - outra grande aposta do governo brasileiro.