Assumindo um caráter decisivo, as eleições primárias para o Senado e a Câmara dos Representantes estão ocorrendo no Kansas, Virgínia, Washington, Missouri e no Michigan. Nestes dois últimos, principalmente, os resultados serão acompanhados de perto pelos democratas, uma vez que são dois estados onde o partido tem se mostrado mais dividido durante a campanha entre sua ala progressista e sua alapró-Israel.
No Michigan, dois candidatos disputam a indicação da legenda para uma vaga no Senado: de um lado, Haley Stevens, uma centrista de 43 anos apoiada pela cúpula do partido e atual integrante da Câmara dos Representantes; do outro, Abdul El-Sayed, de 41 anos, que tem sido comparado a figuras como Zohran Mamdani, prefeito de Nova York.
O vencedor neste estado de mais de 10 milhões de habitantes enfrentará o republicano Mike Rogers em novembro pela vaga no Senado deixada pelo democrata Gary Peters.
Posições divergentes sobre Israel
Apoiada pelo establishment do partido, Haley Stevens é deputada pela região de Detroit desde 2019. Ex-assessora de Barack Obama para questões automotivas, ela concentrou sua campanha na reindustrialização e em sua capacidade de unir pessoas de diferentes origens contra os republicanos. Stevens conta com a preferência de vários líderes democratas, como Chuck Schumer e a governadora de Michigan, Gretchen Whitmer.
Seu adversário, Abdul El-Sayed, é o favorito nas pesquisas e vem sendo apoiado por figuras progressistas como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez. Há poucos pontos em comum entre os dois candidatos, especialmente no que diz respeito à questão sobre Israel.
Médico de origem egípcia, apoiado pela ala mais à esquerda do Partido Democrata, El-Sayed defende especificamente a extinção do ICE (a polícia de imigração) e a expansão do programa federal de seguro de saúde Medicare para mais beneficiários, visando criar um sistema de saúde universal.
Quanto à política externa, ele é um crítico ferrenho de Israel — postura que inevitavelmente dividiu seu partido e é contrária à de Haley Stevens. "Não suporto mais ver o dinheiro dos nossos impostos sendo usado para lançar bombas sobre crianças", escreveu El-Sayed nas redes sociais, referindo-se às campanhas de bombardeio em Gaza.
Essa posição atraiu a hostilidade do principal grupo de defesa de Israel nos EUA, o Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (Aipac, na sigla em inglês), que gastou um valor recorde de US$ 30 milhões em campanha contra ele, a maior quantia já gasta pela organização desde a sua fundação.
O cenário se repete no Missouri, onde o mesmo comitê gastou milhões de dólares para se opor a Cori Bush, outra candidata democrata crítica a Israel que concorre a uma vaga na Câmara dos Representantes.
Tendo já conquistado várias vitórias nas primárias de Nova Jersey, Nova York e Illinois, a ala progressista do Partido Democrata projeta manter os resultados nas primárias desta terça-feira.
Nas eleições de meio de mandato, em novembro, a legenda também espera recuperar a maioria no Senado, mas, para isso, precisa manter sua cadeira em Michigan, estado no qual Donald Trump venceu em 2024.
RFI com AFP