Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na Venezuela.
"Quero anunciar que decretei folga de segunda a sexta-feira para todo o setor de educação. Nossas crianças não devem ir à escola. Também haverá folga para os ministérios, porque isso faz parte do plano de economia de energia elétrica", afirmou Rodríguez.
O anúncio foi feito durante uma visita ao estado de Nueva Esparta, transmitida pela VTV, a emissora estatal. Segundo a presidente, a suspensão não se aplica a setores considerados essenciais, responsáveis pela prestação de serviços básicos.
Rodríguez declarou, sem apresentar os dados, que o país registrou recentemente a "demanda [energética] mais alta em anos", o que seria resultado do crescimento econômico do país.
Plano de economia de energia
A decisão ocorre após o anúncio, na semana anterior, de um programa de economia energética com duração prevista de 45 dias. Segundo Rodríguez, o período deve coincidir com um aumento das temperaturas em todo o país, por conta da "passagem perpendicular de raios solares de sul a norte, o que, na prática, significa que os raios do sol incidirão diretamente sobre a Venezuela".
Ainda de acordo com a presidente, o fenômeno deve pressionar o consumo de energia no país. Diante desse cenário, o governo recomendou a redução no uso de eletricidade, com orientações para moderar o uso do ar-condicionado e reduzir o uso desnecessário de aparelhos eletrônicos.
Ao lado de autoridades do setor, Rodríguez afirmou que as sanções econômicas contra o país caribenho comprometem a recuperação do sistema elétrico e defendeu a retirada das restrições.
"O bloqueio econômico impactou negativamente um serviço essencial para a população e, por isso, fazemos um pedido pelo fim das sanções contra nosso país, para que possamos recuperar plenamente esse serviço."
Crise energética e apagões
Embora não tenha feito referência direta aos apagões, o anúncio ocorre após o aumento de relatos de falhas no fornecimento de energia em diferentes estados venezuelanos. As interrupções têm sido mais frequentes fora da capital, mas também há registros de interrupções em Caracas.
No dia 20 de março, véspera do anúncio do plano de 45 dias, opositores denunciaram uma falha elétrica de grande escala que teria atingido diversos estados do oeste do país.
"Novamente ocorre um apagão generalizado que afeta, até onde há informação, os estados de Táchira, Mérida, Trujillo, Barinas, Portuguesa, Lara e, obviamente, Zulia", disse Juan Pablo Guanipa, do partido Primeiro Justiça, em suas redes sociais.
Após o apagão, a deputada Nora Bracho, do partido Um Novo Tempo, defendeu o aumento de investimentos no setor e afirmou que "a crise do sistema elétrico nacional não pode continuar sendo tratada como um tema secundário".
Na semana passada, novas denúncias foram apresentadas pela oposição. O partido Primero Justicia afirmou que a crise se intensificou nos últimos meses, com cortes de até oito horas por dia no estado de Zulia.
Além da falta de investimentos no setor, a oposição também responsabiliza pelos apagões no país o que classifica como má gestão da Corpoelec, a estatal responsável pelo sistema elétrico