Diversos aliados dos EUA disseram nesta segunda-feira que não tinham planos imediatos para enviar navios a fim de desbloquear o Estreito de Ormuz, rejeitando um pedido do presidente norte-americano, Donald Trump, por apoio militar para manter a via navegável aberta.
Trump pediu que os países ajudassem a policiar o estreito depois que o Irã respondeu aos ataques de EUA e Israel usando drones, mísseis e minas para efetivamente fechar o canal para navios que normalmente transportam um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Alemanha, Espanha e Itália estavam entre os aliados que descartaram a participação em qualquer missão no Golfo Pérsico, pelo menos por enquanto. Outros países foram mais cautelosos, com o Reino Unido e a Dinamarca afirmando que considerariam formas de ajudar, mas enfatizando a necessidade de reduzir a tensão e evitar serem arrastados para a guerra.
"O que (...) Donald Trump espera que um punhado ou dois de fragatas europeias façam no Estreito de Ormuz que a poderosa Marinha dos EUA não possa fazer?", disse nesta segunda-feira o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, em Berlim, minimizando as ameaças de Trump de que a falta de auxílio de Washington poderia ter consequências para a aliança da Otan.
"Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos", acrescentou.
O conflito não tem nada a ver com a Otan e a Alemanha não tem planos de se envolver nele, afirmou o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius.
"Nem os Estados Unidos nem Israel nos consultaram antes da guerra, e... Washington declarou explicitamente no início da guerra que a ajuda europeia não era necessária nem desejada", disse o porta-voz.
A Espanha afirmou que não fará nada que possa agravar o conflito, enquanto o vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, disse que o envio de navios militares para uma zona de guerra seria interpretado como adesão ao conflito.
"A Itália não está em guerra com ninguém e enviar navios militares para uma zona de guerra significaria entrar na guerra", disse Salvini a repórteres em Milão.
Os países da Otan, vários dos quais têm sido alvo de duras críticas de Trump nos últimos meses, estão receosos de irritar a Casa Branca, e alguns sinalizaram disposição para ajudar a encontrar uma solução, mesmo que os planos permaneçam vagos por enquanto.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o bloco está em negociações com as Nações Unidas sobre a possibilidade de replicar um acordo que havia sido usado para permitir a exportação de grãos da Ucrânia durante a guerra com a Rússia.
UE DISCUTE MANDATO DE MISSÃO NO MAR VERMELHO
A UE também está discutindo se poderia alterar o mandato de sua missão naval no Oriente Médio, a Aspides, que atualmente protege navios no Mar Vermelho de ataques do grupo rebelde houthi do Iêmen, para incluir o Estreito de Ormuz, disse Kallas.
Mas a Grécia, que lidera a missão Aspides, limitará sua participação no Oriente Médio ao Mar Vermelho, afirmou o porta-voz do governo, Pavlos Marinakis.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, cuja relutância em ajudar nos ataques iniciais dos EUA atraiu duras críticas de Trump, disse que o Reino Unido trabalharia com os aliados em um plano coletivo para garantir a liberdade de navegação pelo estreito.
Mas ele afirmou que isso não seria fácil e reiterou que o Reino Unido não se deixaria arrastar para uma guerra mais ampla. O Reino Unido possui sistemas autônomos de detecção de minas que poderiam ser utilizados, disse Starmer.
Já a Dinamarca, tradicionalmente um dos aliados mais entusiastas da Otan, mas que entrou em conflito com Trump devido às exigências de que a Groenlândia seja cedida aos EUA, afirmou que a UE deveria considerar ajudar a reabrir o estreito, mesmo que não concordasse com a guerra.
"Mesmo que não gostemos do que está acontecendo, acho sensato manter a mente aberta sobre se a Europa... pode contribuir de alguma forma, mas com vistas à desescalada", disse o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen.
O ministro das Relações Exteriores holandês, Tom Berendsen, disse que, caso a Otan concorde com alguma missão no Golfo Pérsico, levaria tempo para elaborar um plano.
"Essas são decisões importantes, e qualquer ação deve ser viável e impactante. Neste momento, nenhuma decisão está em cima da mesa", disse Berendsen nesta segunda-feira em Bruxelas.