Alemanha relaxa proibição de tráfego de caminhões aos domingos

8 ago 2026 - 14h51

Sob impacto de estiagem que vem prejudicando transporte fluvial de cargas, estados alemães suspendem temporariamente regra dos anos 1950 que restringe tráfego de caminhões pesados nas autoestradas em domingos e feriados.Em meio a uma estiagem prolongada que tem afetado a navegação fluvial na Alemanha, vários estados do país estão suspendendo temporariamente uma antiga proibição de circulação de caminhões pesados nas rodovias aos domingos e feriados.

Regra que restringe tráfego de caminhões aos domingos na Alemanha está em vigor desde 1956
Regra que restringe tráfego de caminhões aos domingos na Alemanha está em vigor desde 1956
Foto: DW / Deutsche Welle

A medida visa facilitar o transporte rodoviário de mercadorias que não estão podendo ser transportadas por hidrovias, especialmente por causa do baixo nível histórico das águas dos rios Reno, Danúbio e Elba.

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As isenções entrarão em vigor neste fim de semana nos estados da Renânia do Norte-Vestfália, da Renânia-Palatinado, da Baixa Saxônia e do Sarre.

A medida aplica-se a viagens de caminhão direta ou indiretamente relacionadas às restrições no Reno, incluindo tanto o transporte de mercadorias que normalmente seriam levadas por navio quanto viagens com veículos vazios necessárias para viabilizar o transporte alternativo.

As isenções não se aplicam a transportes de cargas superdimensionadas.

Proibição em vigor desde os anos 1950

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A proibição de circulação de caminhões pesados aos domingos e feriados foi instituída na Alemanha em 1956. A medida foi imposta com o objetivo de preservar a tranquilidade nesses dias e privilegiar o tráfego de automóveis para permitir um maior fluxo de veículos de passeio — bem como contribuir para aumentar a segurança viária nessas ocasiões. A medida também visa garantir o tempo de descanso legal para os motoristas de caminhão.

A proibição afeta especificamente caminhões com mais de 7,5 toneladas, afetando caminhões pesados, carretas e bitrens, mas há exceções: certos tipos de transporte, como o de frutas e legumes perecíveis ou de leite e laticínios frescos, bem como o transporte relacionado a atividades de feirantes e artistas itinerantes, estão legalmente isentos da proibição. Além disso, as autoridades de trânsito podem conceder isenções para outros transportes urgentes em casos específicos, como ocorre agora por causa da estiagem e seus efeitos sobre o transporte fluvial.

Outros países, como a Áustria, a França e a Suíça, também impõem proibições similares.

Justificativa

Secretários estaduais de transporte de diversos estados alemães afirmaram que o relaxamento temporário de regras busca manter o funcionamento de cadeias de suprimentos.

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"As restrições impõem desafios significativos a muitas empresas", afirmou o secretário dos Transportes da Renânia do Norte-Vestfália, Oliver Krischer, do Partido Verde. "Com essa exceção, garantimos a manutenção das cadeias de suprimentos e evitamos gargalos no abastecimento." A regra vigorará inicialmente na Renânia do Norte-Vestfália até 31 de agosto.

No estado vizinho da Renânia-Palatinado, também afetado pela redução das águas do rio Reno, o relaxamento vai vigorar no máximo até 30 de setembro. O Secretário de Estado de Transportes, Markus Wolf, do partido conservador CDU, declarou que a flexibilidade necessária está sendo viabilizada. Segundo Wolf, a Renânia-Palatinado coordenou essa regulamentação excepcional com outros estados. Isso, segundo ele, permitirá manter o fluxo de mercadorias, apesar das restrições no rio Reno.

Já o ministro Federal dos Transportes da Alemanha, Steffen Bilger, defendeu uma suspensão mais ampla da proibição de circulação de caminhões no país.

As empresas precisam dessa "flexibilidade", disse Bilger no sábado, em entrevista à rádio Deutschlandfunk. No entanto, ele disse que a medida seria apenas parte de um pacote de ações destinadas a enfrentar o problema dos baixos níveis de água nos rios alemães. Essas medidas incluem, por exemplo, a suspensão de obras que podem ser adiadas, a disponibilização de capacidade adicional para o transporte de cargas por via ferroviária e o adiamento da reforma de uma eclusa.

Baixa dos rios tem afetado indústria

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A principal associação industrial da Alemanha saudou as medidas para flexibilizar temporariamente as restrições ao tráfego de caminhões aos domingos e feriados e os planos de expandir a medida, uma vez que os baixos níveis de água nos principais rios estão prejudicando o transporte de cargas.

"O governo federal está demonstrando sua capacidade de agir nesta situação extrema", disse Holger Lösch, vice-diretor-geral da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), ao jornal Rheinische Post no sábado (07/08). "As medidas acordadas precisam agora ser implementadas rapidamente."

Os níveis de água persistentemente baixos significam que muitos navios de carga conseguem transportar, atualmente, apenas uma fração de suas cargas habituais. No rio Reno, por exemplo, que nasce na Suíça, atravessa o oeste alemão e deságua na Holanda, a profundidade insuficiente tem feito com que operadoras distribuam as cargas em vários navios para evitar que as embarcações encalhem.

Lösch afirmou que transferir mercadorias para o transporte rodoviário e ferroviário poderia amenizar as perturbações e estabilizar as cadeias de suprimentos, embora por si só esses modais não sejam capazes de compensar totalmente a perda de capacidade de transporte fluvial.

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O Instituto Kiel para a Economia Mundial (IfW) estima que os baixos níveis dos rios podem custar à Alemanha até 2 bilhões de euros (R$ 11,7 bilhões) em perdas de produção econômica no terceiro trimestre e reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) entre 0,1% e 0,2%. A economia alemã, por sua vez, só cresceu 0,2% no segundo trimestre. O Banco Central da Alemanha (Bundesbank), por sua vez, prevê atualmente um crescimento de 0,5% para a Alemanha em 2026.

A baixa dos rios tem sido especialmente crítica para a indústria química alemã, que alertou para o risco de cortes na produção. "Se os navios forem forçados a transportar cargas menores ou não puderem operar, os custos aumentam, as cadeias de suprimentos sofrem pressão e a produção é restringida", disse Wolfgang Große Entrup, presidente-executivo da associação industrial VCI.

O Reno é uma das vias navegáveis mais importantes da Europa. Empresas químicas como Basf, Evonik e Covestro utilizam o rio para transportar produtos como metanol, butano, propano e amônia.

Cerca de 20 milhões de toneladas métricas de produtos químicos foram transportadas pelas vias navegáveis interiores da Alemanha em 2024.

A Basf normalmente transporta por via fluvial cerca de 40% das mercadorias de sua unidade principal em Ludwigshafen, mas agora está transferindo parte da carga para caminhões e trens. No entanto, grandes obras na linha ferroviária ao longo da margem leste do Reno estão limitando a capacidade ferroviária entre Colônia e a região Reno-Meno.

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Críticas

A organização ambiental Bund criticou a flexibilização da proibição de circulação de caminhões aos domingos e feriados, argumentando que substituir o transporte fluvial por "centenas ou milhares de viagens de caminhão" não é uma solução para os baixos níveis de água nos rios, disse o presidente da Bund, Olaf Bandt, ao jornal Rheinische Post.

"O governo não compreendeu que os baixos níveis dos rios são um sintoma da crise climática", disse o presidente da Bund, Olaf Bandt, ao jornal Rheinische Post.

"Dragar os leitos dos rios ou colocar mais caminhões nas rodovias não resolverá o problema." Pelo contrário, argumentou ele, isso apenas sobrecarregará ainda mais as pessoas e o clima.

Ele também disse que paisagens fluviais preservadas são cruciais para a retenção de água, o que ajudaria a mitigar os efeitos dos níveis baixos. "A navegação interior deve se adaptar aos rios - e não o contrário", afirmou o presidente da Bund. Em vez de aumentar o número de caminhões, segundo ele, deveriam ser tomadas medidas "para garantir que a infraestrutura ferroviária esteja mais apta a lidar com gargalos na navegação interior no futuro".

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jps (dpa, ots)

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