A academia alemã que combate a ultradireita com MMA

27 mai 2026 - 15h21

Ultradireita alemã usa cada vez mais as artes marciais para recrutar novos membros. Uma academia na Saxônia, no leste da Alemanha, resolveu reagir com uma oferta focada na diversidade.O hip-hop ecoa pelos alto-falantes, mal abafando os sons secos de luvas atingindo manoplas e corpos caindo sobre os tatames. À medida que a noite avança e os participantes começam a suar pra valer, a condensação se acumula nas janelas.

Inclusão é prioridade, e o clube oferece tanto treinos mistos quanto sessões voltadas especificamente para mulheres, pessoas trans e não binárias
Inclusão é prioridade, e o clube oferece tanto treinos mistos quanto sessões voltadas especificamente para mulheres, pessoas trans e não binárias
Foto: DW / Deutsche Welle

Embora o treino de Artes Marciais Mistas (MMA) no clube esportivo Athletic Sonnenberg, na cidade alemã de Chemnitz, se pareça com o de muitas outras academias, os membros veem o clube como um campo de batalha pela democracia.

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"Isso tem um elemento político claro", diz o treinador de artes marciais Stani. "Muitas academias de artes marciais na Saxônia são administradas por pessoas da extrema direita, e há muitas estruturas de extrema direita no cenário do MMA em geral", afirma.

O Athletic Sonnenberg é focado em diversidade e empoderamento. Os organizadores esperam que o projeto se destaque num momento em que a ultradireita vem instrumentalizando cada vez mais o esporte, especialmente o MMA, para recrutar novos membros.

A ultradireita e o MMA

As artes marciais aproximam os agrupamentos de ultradireita de um público crescente de homens jovens. Muitos deles podem inicialmente nem se interessar por política, mas podem ser alcançados por meio do esporte. O MMA também funciona como preparação para confrontos violentos com adversários políticos ou com a polícia.

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Chemnitz é uma das maiores cidades da Saxônia, um estado no leste da Alemanha onde a ultradireita vem crescendo há muito tempo. O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) é o segundo maior na assembleia estadual e atualmente lidera as pesquisas eleitorais com ampla margem.

Na Alemanha, a ultradireita está em ascensão, especialmente entre os mais jovens. As artes marciais mistas há muito são uma importante ferramenta de recrutamento para movimentos da ultradireita na Alemanha, como o partido político neonazista Terceira Via. Tentativas de proibir exibições ligadas à ultradireita não conseguiram conter esse crescimento.

"Aqui, na Saxônia, a ultradireita está cada vez mais poderosa, especialmente nas artes marciais, mas também no esporte de forma mais ampla. Isso claramente tem sido uma tendência nos últimos anos", diz a integrante do Athletic Sonnenberg Lena.

"É meio que um segredo aberto. As pessoas sabem quais academias aqui têm ligação com ex-neonazistas ou onde pessoas com conexões com a cena nazista treinam. Você sabe que deve evitá-las", acrescenta Stani.

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Uma outra opção

O Athletic Sonnenberg decidiu oferecer aos jovens uma opção além de apenas evitar essas academias. Embora os seus participantes tenham motivos variados para frequentar o local, o clima político da região frequentemente é um deles.

"Estruturas e violência de ultradireita estão presentes aqui [em Chemnitz]. Você as vê em grupos em frente a bares ou fora de centros comerciais, e isso não parece certo", diz Lis, uma participante das aulas de MMA.

"As aulas de MMA nos ajudam a saber como lidar com essas situações, ou pelo menos a nos sentirmos um pouco mais fortes quando elas surgem. Não é que eu ache que eu possa enfrentar um grupo grande de homens, mas faz diferença mentalmente ter treinamento", diz.

Lis também aprecia a receptividade e o senso de comunidade no Athletic Sonnenberg. O clube, que também possui equipes de futebol, vôlei e ciclismo, foi fundado em 2020 e começou a oferecer aulas de artes marciais em 2024.

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Espaço receptivo e seguro

A inclusão é uma prioridade, e o clube oferece tanto treinos mistos quanto sessões voltadas especificamente para mulheres, pessoas trans e não binárias. Desde iniciantes até atletas experientes, todos são bem-vindos.

"Queremos oferecer aos jovens daqui uma alternativa. Se alguém decide que quer experimentar MMA, deve ter mais opções do que simplesmente entrar numa academia de ultradireita. Também deve poder participar de um espaço inclusivo onde todos treinam juntos num ambiente intercultural", diz Lis.

Essa inclusão faz com que pessoas que não necessariamente se interessam por política também participem. "Eu trabalho com segurança, e meus colegas sempre brincam que eu preciso ir para a academia", comentou um dos participantes após terminar sua primeira aula de MMA. "Eles não vão parar de me falar isso se eu vier só uma vez. Além disso, foi muito divertido, então com certeza vou voltar", disse.

Embora os organizadores vejam a academia como um projeto político, o simples fato de oferecer um espaço receptivo e seguro, onde iniciantes possam aparecer sem ter que se preocupar em conviver com a ultradireita, já é uma vitória para quem participa.

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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