Dados parciais da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) revelam que 63% dos óbitos registrados nas vias urbanas da Capital tiveram envolvimento de motos.
Ao todo, foram 19 sinistros com morte, resultando em 19 vítimas fatais. Desses, 12 casos envolveram motocicletas, evidenciando o protagonismo desse tipo de veículo nas ocorrências mais graves do trânsito.
Perfil das vítimas reforça vulnerabilidade
Entre as vítimas fatais:
- 9 eram condutores de motocicleta — ou seja, todos os motoristas mortos no período eram motociclistas;
- 2 pedestres morreram após serem atropelados por motos;
- 1 passageiro (carona) também morreu em ocorrência envolvendo motocicleta.
O dado chama atenção: além de vitimar seus próprios condutores, as motocicletas também aparecem em mortes de terceiros, ampliando o impacto desse tipo de sinistro.
Falta de habilitação agrava cenário
Outro fator crítico identificado é a irregularidade na condução.
Dos 7 sinistros com mortes envolvendo motoristas sem habilitação, 6 tinham participação de motocicletas — o equivalente a 86% dos casos.
O número reforça a combinação perigosa entre condução irregular e uso de motocicletas, aumentando o risco de acidentes fatais.
Comportamento de risco está entre as principais causas
Levantamentos do Programa Vida no Trânsito indicam que os principais fatores associados às mortes são:
- avanço de sinal ou desrespeito à preferência;
- condução sem CNH;
- velocidade excessiva ou inadequada.
A análise aponta que a maioria das ocorrências está ligada a comportamentos evitáveis, e não apenas a fatores estruturais.
Quem são os motociclistas vítimas
A idade média dos motociclistas mortos é de 33 anos, indicando que as vítimas estão, em sua maioria, em plena idade produtiva.
Além disso, parte dos envolvidos atuava profissionalmente com a moto, como motoboys ou mototaxistas, o que expõe também a dimensão laboral do risco.
Um alerta para políticas públicas
Os dados reforçam a necessidade de ações mais incisivas voltadas ao uso seguro de motocicletas — seja na fiscalização, na educação no trânsito ou na regulamentação do trabalho sobre duas rodas.
Com quase dois terços das mortes ligadas a motos, o cenário acende um alerta: reduzir os óbitos no trânsito de Porto Alegre passa, necessariamente, por enfrentar os riscos associados às motocicletas.