Marolo: o fruto do Cerrado que une sabor, tradição e preservação ambiental

Descubra o marolo, fruto exótico e doce do Cerrado, seus benefícios, sabor único, usos na culinária e curiosidades imperdíveis

1 jan 2026 - 09h00

Entre os frutos típicos do Cerrado brasileiro, o marolo ocupa um lugar de destaque por reunir aroma marcante, sabor adocicado e forte ligação com a cultura regional. Encontrado principalmente em áreas de Minas Gerais, Goiás e interior de São Paulo, esse fruto exótico ainda é pouco conhecido em outras partes do país, mas começa a ganhar espaço em feiras, restaurantes e pesquisas acadêmicas. A curiosidade em torno do marolo cresce à medida que aumenta o interesse pela preservação do bioma e de seus alimentos nativos.

O marolo, também chamado de araticum em algumas regiões, pertence à mesma família da pinha e da graviola. Sua polpa macia, de cor amarelada ou alaranjada, é envolvida por uma casca grossa e segmentada. O sabor é doce e intenso, com leve toque ácido, o que torna o fruto bastante versátil para diversas preparações culinárias. Além das características sensoriais, destaca-se ainda pelo valor nutricional e pelo papel que desempenha na economia de pequenos produtores do Cerrado.

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O que é o marolo e por que ele é tão valorizado no Cerrado?

A palavra-chave principal é marolo, e ela se relaciona diretamente à identidade do Cerrado. O fruto nasce em árvores de porte médio, que se adaptam bem às condições de solo ácido e períodos de seca típicos do bioma. A frutificação ocorre, em geral, entre o fim do verão e o outono, quando surgem os marolos maduros, com aroma facilmente percebido à distância. Muitos moradores associam esse cheiro característico à chegada de uma época específica do ano, o que demonstra a presença do fruto no imaginário regional.

Do ponto de vista nutricional, o marolo oferece carboidratos naturais, fibras alimentares e quantidades relevantes de vitaminas, principalmente do complexo B e vitamina C, além de minerais como potássio e magnésio. Essa combinação faz com que seja classificado como um alimento energético, capaz de contribuir para a saciedade e para o funcionamento adequado do organismo. A polpa também apresenta compostos antioxidantes, que vêm sendo estudados por universidades e centros de pesquisa interessados na biodiversidade do Cerrado.

Rico em fibras, vitaminas e minerais, o marolo vem ganhando espaço na alimentação e na pesquisa científica – depositphotos.com / losak.napior
Rico em fibras, vitaminas e minerais, o marolo vem ganhando espaço na alimentação e na pesquisa científica – depositphotos.com / losak.napior
Foto: Giro 10

Quais são os principais benefícios do marolo para a alimentação?

O consumo regular de marolo, dentro de uma dieta equilibrada, pode auxiliar em diferentes aspectos da alimentação diária. As fibras presentes na polpa favorecem o trânsito intestinal e ajudam na manutenção de níveis adequados de glicose no sangue. Já os carboidratos de absorção mais lenta fornecem energia de forma gradual, o que é útil para quem realiza atividades físicas ou precisa de disposição ao longo do dia. O fruto do Cerrado também é frequentemente mencionado como aliado em cardápios que priorizam ingredientes naturais e minimamente processados.

A vitamina C encontrada no marolo participa de processos de defesa do organismo e atua na absorção de ferro de origem vegetal. As vitaminas do complexo B estão relacionadas ao metabolismo energético, enquanto o potássio contribui para o equilíbrio de líquidos e o bom funcionamento muscular. Por isso, muitos nutricionistas regionais recomendam a inclusão do marolo e de outros frutos nativos como opção de lanche, sobremesa ou complemento de refeições principais. Em comparação com sobremesas industrializadas, o marolo oferece doce sabor de forma mais simples e com menos aditivos artificiais.

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  • Fonte de energia: rica em carboidratos naturais.
  • Boa quantidade de fibras: auxilia a digestão.
  • Vitaminas e minerais: destaque para vitamina C, complexo B e potássio.
  • Compostos antioxidantes: contribuem para a proteção celular.

Como consumir o marolo e aproveitá-lo na cozinha?

O fruto do Cerrado pode ser consumido ao natural, em sua forma mais simples: basta abrir a casca e retirar a polpa, descartando as sementes. No entanto, o marolo ganhou fama pela presença em preparos tradicionais, especialmente em cidades do interior de Minas Gerais. A polpa costuma ser utilizada para fazer doces, bebidas e sobremesas cremosas que aproveitam o perfume intenso e o sabor adocicado. Em muitas localidades, o marolo é um dos protagonistas de festas regionais e festivais gastronômicos.

Na culinária caseira, é comum encontrar o marolo em receitas de bolos, pudins, sorvetes e mousses. A fruta também aparece combinada com leite ou iogurte em vitaminas e shakes. Restaurantes que valorizam ingredientes nativos têm explorado preparos mais elaborados, como molhos para carnes, geleias artesanais e recheios para tortas. Em todos esses usos, o objetivo é aproveitar o aroma singular, sem mascará-lo com excesso de açúcar ou condimentos.

  1. Escolher frutos firmes, mas levemente macios ao toque.
  2. Verificar o aroma adocicado, sinal de maturação adequada.
  3. Abrir a casca com cuidado, preservando a polpa.
  4. Remover as sementes antes de bater ou amassar o fruto.
  5. Utilizar a polpa fresca ou congelá-la para uso posterior.
A valorização do marolo ajuda a fortalecer a cultura regional e a conservação do Cerrado – depositphotos.com / losak.napior
Foto: Giro 10

Qual é a relação entre o marolo, o Cerrado e a preservação ambiental?

O marolo também simboliza a importância da conservação do Cerrado, bioma que vem sofrendo com desmatamento e avanço da fronteira agrícola. A árvore do marolo depende de condições específicas de solo, clima e interação com polinizadores nativos para frutificar de maneira adequada. Quando áreas naturais são substituídas por monoculturas extensivas, a disponibilidade de marolo tende a diminuir, afetando tanto a biodiversidade quanto a renda de famílias que vivem da coleta e do cultivo desse fruto.

A valorização gastronômica e comercial do marolo pode contribuir para a manutenção de sistemas agroextrativistas sustentáveis. Ao criar demanda por frutos nativos, mercados locais e restaurantes estimulam práticas que preservam a vegetação original e geram renda sem destruir a paisagem. Em 2025, diversos projetos de pesquisa e iniciativas comunitárias trabalham para registrar variedades de marolo, aperfeiçoar técnicas de cultivo e incentivar o plantio em áreas degradadas do Cerrado, reforçando a ligação entre alimentação, cultura e meio ambiente.

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Dessa forma, o marolo deixa de ser apenas um fruto exótico e doce para se tornar um símbolo da diversidade do Cerrado. Ao ganhar espaço em feiras, cozinhas profissionais e pesquisas científicas, esse fruto regional ajuda a contar a história de um dos biomas mais ricos do país e mostra como a preservação ambiental pode caminhar ao lado da produção de alimentos de qualidade.

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