O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (25) que o Brasil não aceitará interferências estrangeiras no processo eleitoral. A declaração foi feita durante a convenção estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo, que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista.
Ao comentar a possibilidade de participação de agentes internacionais em discussões sobre o sistema eleitoral brasileiro, o presidente declarou: "E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. [...] quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores".
Lula reforça a defesa da soberania brasileira
Durante o discurso, Lula voltou a defender a autonomia do país nas decisões institucionais e afirmou que o Brasil pretende manter relações diplomáticas com todas as nações, mas sem abrir mão de sua soberania.
Segundo o presidente, "O aviso está dado, o Brasil é soberano, o Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar".
As declarações ocorreram um dia depois de o Ministério das Relações Exteriores negar vistos a dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que planejavam viajar ao Brasil.
Itamaraty barra entrada de autoridades americanas
O governo brasileiro recusou os pedidos de visto apresentados por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado norte-americano.
Os dois foram citados em reportagem do jornal The Washington Post como integrantes de uma estratégia voltada a questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. A negativa aos vistos foi formalizada antes mesmo da publicação da reportagem.
De acordo com informações divulgadas pelo governo, a missão ocorreria poucas semanas antes das eleições de outubro. Nos bastidores, a iniciativa foi considerada incomum pelas autoridades brasileiras, que decidiram impedir a entrada dos representantes norte-americanos.
Debate sobre urnas eletrônicas volta ao centro da campanha
A discussão sobre o sistema eleitoral ganhou força nos últimos dias após o senador Flávio Bolsonaro participar de um encontro reservado com representantes de cerca de 40 países.
Na ocasião, o pré-candidato à Presidência afirmou que o Brasil utilizaria urnas produzidas por uma empresa venezuelana suspeita de fraudes. A informação já havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Embora negue questionar a legitimidade das eleições brasileiras, Flávio defendeu que observadores internacionais acompanhem o pleito marcado para 4 de outubro.
Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes da Corte avaliaram como incomum a possibilidade de uma missão estrangeira voltada a discutir o processo eleitoral brasileiro. Para ministros do tribunal, uma iniciativa desse tipo poderia representar uma tentativa de interferência em um tema cuja condução cabe exclusivamente às instituições brasileiras.