Lei passa a exigir que empresas informem funcionários sobre vacinação e prevenção do câncer

Iniciativa do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) em primeiro evento em Natal (RN) teve parceria com Fecomercio/Sesc e Liga Norte Riograndense contra o Câncer para levar ações de saúde ao ambiente de trabalho, em sintonia com a nova legislação brasileira

28 abr 2026 - 12h42
(atualizado às 12h45)

Em um momento em que a prevenção do câncer passa a integrar oficialmente a agenda corporativa no Brasil, lideranças empresariais, especialistas e instituições de saúde se reuniram na sexta-feira (24) para o 1º Encontro de Empresas pela Prevenção do Câncer, no Sesc Rio Branco, em Natal (RN).

Vacinação em unidade do SUS
Vacinação em unidade do SUS
Foto: Divulgação/Governo de MS / Perfil Brasil

A iniciativa, promovida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos - EVA - em parceria com Fecomercio/Sesc e Liga Norte Riograndense contra o Câncer,  mobilizou empresas para ampliar prevenção e rastreio do câncer. A ação de engajamento e orientação ocorre em sintonia com a recente mudança na legislação brasileira que amplia o papel das empresas na promoção da saúde. O primeiro evento em Natal funcionou como um piloto para multiplicar ações de engajamento e letramento em todo país.

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Sancionada em abril de 2026, a Lei nº 15.377 altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e determina que empresas passem a informar e conscientizar seus funcionários sobre campanhas de prevenção relacionadas ao combate ao vírus HPV e aos cânceres de mama, colo do útero e próstata.

A norma também garante ao trabalhador o direito de se ausentar por até três dias ao ano para realizar exames preventivos, sem prejuízo do salário, reforçando o diagnóstico precoce como estratégia central de saúde pública.

Na prática, a legislação transforma o ambiente corporativo em um canal estratégico de acesso à informação, rastreamento e cuidado contínuo, exatamente o foco do encontro que será realizado em Natal.

Aliança entre saúde e setor produtivo

Com o tema "Saúde que começa no trabalho", o evento em Natal propõe uma aliança entre empresas, poder público e instituições médicas para criar letramento, conscientização e ampliar o acesso à prevenção e ao rastreamento do câncer.  O presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Fernandes de Queiroz, destaca a importância da prevenção e trabalho educativo no combate às doenças, citando que o Sesc já realiza um importante trabalho com sua unidade Móvel Saúde Mulher e atuando diretamente nas empresas com o projeto Qualidade de Vida.

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"Acreditamos que a prevenção e acesso à informação são fundamentais para melhorar a saúde da população, por isso, nos juntamos a instituições como a Liga e o Grupo EVA com esse mesmo propósito. Isso reforça nosso papel como entidade que trabalha de perto junto às empresas na promoção do bem-estar dos trabalhadores, por meio do Sesc. Esse projeto é uma extensão de uma parceria maior que já desenvolvemos com o Liga no estado, permitindo acesso a diagnósticos que ajudam no tratamento precoce", afirma.

A programação incluiu apresentação de cases de sucesso e discussões sobre  o papel das empresas como protagonistas na promoção da saúde. Na ocasião, as instituições parceiras assinaram um termo de parceria institucional, consolidando um modelo colaborativo com potencial de expansão nacional.

Alerta para o câncer de colo do útero

Durante o encontro, um dos focos será o câncer de colo do útero, doença evitável por prevenção com vacinação contra o vírus HPV (Papiloma Vírus) e rastreamento, mas ainda com impacto significativo no país em incidência e mortalidade. O relatório de estimativas do INCA para o triênio 2026-2028 aponta um cenário preocupante para o câncer de colo de útero no Brasil, com cerca de 19.310 novos casos anuais estimados. Esse número representa um aumento significativo de aproximadamente 13% a 14% em relação ao triênio anterior, consolidando a doença como uma das principais causas de mortalidade feminina.

"A participação das empresas é decisiva para mudar esse cenário. Quando levamos informação e acesso ao rastreamento para dentro do ambiente de trabalho, conseguimos alcançar mulheres que muitas vezes estão fora do sistema de saúde. Além disso, é fundamental ampliar a conscientização sobre a vacinação contra o HPV, um vírus diretamente relacionado aos cânceres ginecológicos e também aos tumores de orofaringe. Com vacinação e rastreio adequados, esses tumores são altamente evitáveis", afirma a Dra. Andréa Paiva Gadêlha Guimarães, presidente do EVA.

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Segundo ela, o engajamento corporativo pode ser determinante diante de dados preocupantes. "Hoje, o câncer de colo do útero ainda mata cerca de 7 mil mulheres por ano no Brasil. E mais recentemente observamos um aumento de quase 14% na incidência, de acordo com relatório do INCA. Isso reforça a urgência de ampliar o rastreamento e a prevenção."

Na Liga Contra o Câncer, a iniciativa acontece a partir do Programa PrevCâncer, que conta com ações integradas de promoção à saúde, prevenção do câncer e detecção precoce da  doença. "Dentro dessa estratégia, o 'PrevCâncer: rastreio empresarial' amplia o impacto ao integrar três frentes complementares: o rastreio organizado dos principais cânceres, o ensino corporativo em saúde com foco em oncologia e a produção de pesquisa institucional, qualificando a tomada de decisão e o cuidado contínuo com os trabalhadores", explica Júnior Gomes, gerente de Acesso e Articulação Assistencial da Liga, que está à frente do programa.

Atualmente, a instituição realiza ações de ensino no ambiente corporativo, promovendo educação permanente em saúde com ênfase em oncologia, além de atuar como aliada do Sesc no programa Sesc Saúde da Mulher, e estar em processo de formalização da primeira parceria de rastreio empresarial com o grupo RedeMais.

Do discurso à prática

O evento também apresentou experiências concretas, como o projeto Sesc Saúde da Mulher, evidenciando resultados positivos de programas estruturados de prevenção dentro e fora do ambiente corporativo.

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O evento fechou com uma chamada à ação para que empresas adotem políticas internas alinhadas à nova legislação, transformando o local de trabalho em um ponto de cuidado contínuo.

A iniciativa sinaliza uma mudança de paradigma: a prevenção do câncer deixa de ser responsabilidade individual e do sistema de saúde e passa a ser também um compromisso das empresas brasileiras.

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