A presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou regras rígidas de disciplina para escolas públicas, proibindo cabelo comprido em meninos, além de maquiagem, esmalte e tintura capilar. O pacote também restringe o uso de celulares, retoma notas de conduta e prevê expulsões para conter a violência escolar. As medidas, contudo, geraram fortes críticas de oposicionistas e entidades de direitos humanos, que apontam imposição de estereótipos e questionam a eficácia das restrições para coibir agressões.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou novas regras de disciplina para as escolas públicas do país. O regulamento prevê que meninos mantenham o cabelo curto e restringe tintura, maquiagem e esmalte entre os estudantes.
Entretanto, as normas ainda precisam concluir o processo de regulamentação antes de entrarem em vigor. A iniciativa faz parte de uma política mais ampla do governo voltada à disciplina dentro das unidades de ensino. Segundo a gestão peruana, as mudanças também procuram responder a casos de violência e assédio registrados nas escolas.
Keiko Fujimori defende regras mais rígidas nas escolas
Ao apresentar as medidas em Chaclacayo, nos arredores de Lima, a presidente relacionou as mudanças à necessidade de reforçar regras de comportamento. "A ordem não deve existir apenas nas ruas. Também precisa retornar às nossas escolas, às nossas salas de aula", defendeu.
Ademais, Fujimori também detalhou parte das restrições relacionadas à aparência: "Os garotos devem vir de cabelo curto. É totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem."
O ministro da Educação, José Antonio Chang, acrescentou que o novo regulamento ainda deverá restringir esmaltes e estabelecer critérios para o comprimento das saias utilizadas pelas estudantes. As determinações serão direcionadas às instituições públicas; escolas privadas continuarão seguindo seus próprios regulamentos.
Celulares e comportamento também entram nas mudanças
O pacote, contudo, não se limita à aparência. O governo pretende restringir o uso de celulares durante as aulas, exceto quando houver autorização dos professores. As chamadas notas de conduta também deverão retornar. A avaliação poderá considerar aspectos relacionados ao comportamento e à pontualidade dos estudantes.
Além disso, infrações consideradas graves poderão resultar em expulsão. O governo sustenta que regras mais rígidas ajudariam a reforçar responsabilidade e disciplina dentro das escolas. "Sei que pode parecer bastante rigoroso, mas acreditem, isso será importante para toda a vida", afirmou Fujimori.
Restrições provocam críticas no Peru
As regras sobre aparência abriram uma discussão sobre até que ponto cabelo, maquiagem ou roupas devem fazer parte das políticas de disciplina escolar. Organizações feministas e de direitos humanos questionaram a relação entre essas restrições e o enfrentamento da violência dentro das instituições de ensino.
Além disso, críticos apontam que as medidas se concentram apenas na rede pública. "Controlar aspectos como o cabelo ou a maquiagem não previne agressões sexuais nem outras formas de violência escolar", afirmaram as organizações Manuela Ramos e Centro de la Mujer Peruana Flora Tristán, em declaração reproduzida pela 'France Presse'.
A senadora de oposição Ruth Luque também criticou a associação entre aparência e comportamento:
"A autoridade docente é indispensável, mas não se constrói confundindo a aparência pessoal com a conduta, nem impondo estereótipos sobre como meninos e meninas devem se apresentar", disse, segundo informações da 'Folha de S.Paulo'.