Capital da Albânia é palco de violência estudantil com bancos e prédios incendiados

14 out 2026 - 13h49
Resumo
Dezenas de milhares de estudantes protestaram violentamente em Tirana contra a corrupção e os altos custos da educação na Albânia. Os manifestantes incendiaram o Ministério da Educação e dois bancos, além de entrarem em confronto com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e canhões de água. O ato marca a mais grave revolta contra o primeiro-ministro Edi Rama, cuja renúncia é exigida, em meio a tensões já ampliadas por polêmicos projetos imobiliários e pela insatisfação com a classe política.

Dezenas de ‌milhares de estudantes tomaram as ruas de Tirana na quarta-feira, incendiando um prédio do governo e dois bancos e atirando pedras contra a polícia durante um protesto contra o aumento dos custos da educação e a corrupção.

A polícia ⁠respondeu com canhões de água e gás lacrimogêneo para ‌dispersar os manifestantes, que atearam fogo no prédio do Ministério da Educação, viraram lixeiras e quebraram as fachadas ‌de estabelecimentos comerciais locais, segundo imagens ‌da Reuters.

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Uma agência do Raiffeisen Bank próxima ao ⁠Ministério da Educação também pegou fogo, segundo uma testemunha da Reuters.

Os protestos representam a manifestação mais violenta contra o primeiro-ministro Edi Rama, que conquistou seu quarto mandato nas eleições de maio do ano passado, mas, desde então, ‌tem enfrentado um descontentamento crescente em relação à corrupção percebida ‌em torno de ⁠altos funcionários. Os ⁠manifestantes também rejeitam figuras da oposição como alternativas inaceitáveis.

A agitação coroa ⁠um verão de protestos ‌pacíficos contra Rama, desencadeados ‌pela proposta de construção de um resort de luxo ao longo da intocada costa sul da Albânia, apoiada pelo genro do presidente dos EUA, Donald Trump, ⁠Jared Kushner, e que se viu envolvida em disputas judiciais.

"Isso é uma revolução. Estamos cansados de protestos pacíficos. Não vamos parar até que Rama renuncie", disse Lora, uma estudante que preferiu ‌não revelar seu sobrenome, enquanto atirava pedras contra a polícia.

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Outros gritavam "Renúncia" e "Polícia do crime".

Os organizadores estudantis afirmaram que o ⁠protesto era contra as condições nas universidades, os altos custos do ensino superior, a falta de apoio financeiro e as perspectivas de emprego após a formatura.

A agitação faz parte de uma onda mais ampla de ativismo estudantil que varre a Europa em torno das condições de educação e de vida. Na França, estudantes do ensino médio têm realizado semanas de protestos e bloqueios em escolas exigindo mais professores e melhores instalações, argumentando que a deterioração dos prédios escolares e as salas de aula superlotadas estão prejudicando a educação.

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