O Ministério Público da Bahia (MPBA) foi contra a liberdade de Mateus da Costa Meira, de 51 anos, autor de uma chacina no Morumbi Shopping, em 1999, que deixou três pessoas mortas e nove feridas. Considerado inimputável, Mateus cumpria pena no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Salvador quando foi posto em liberdade em 2024, após a desativação da unidade.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Segundo documentos acessados pelo blog True Crime, do jornal O Globo, até mesmo os pais de Mateus não quiseram acolhê-lo inicialmente, mas acabaram voltando atrás.
O ex-estudante de Medicina foi condenado inicialmente a 120 anos de prisão por planejar e executar a chacina no cinema do shopping em São Paulo. Depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena para 48 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado.
Mateus passou seus primeiros anos de prisão na Penitenciária de Tremembé, até que, em 2004, foi transferido para a Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, para ficar na mesma cidade que os pais. No ano seguinte, ele tentou matar um companheiro de cela com golpes de tesoura na cabeça.
Em novo julgamento, realizado dessa vez pelo Tribunal de Justiça da Bahia, Mateus foi considerado inimputável em razão de transtorno mental e absolvido impropriamente. Com isso, em 2010, ele passou a cumprir medida de segurança no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico.
Com a desativação do hospital de custódia, o MPBA apresentou argumentos contrários à soltura de Mateus, que havia cumprido 25 anos de sua pena em reclusão. Para o Ministério Público, não foi feito um exame pericial capaz de comprovar a cessação de sua periculosidade, nem um estudo social que demonstrasse a capacidade dos pais idosos de supervisioná-lo.
A família de Mateus também chegou a se manifestar de forma contrária à soltura. Os pais do ex-estudante disseram que não tinham condições de recebê-lo em casa em razão de seu histórico de violência. Segundo os autos, Mateus já havia agredido fisicamente a mãe em diferentes ocasiões, perseguido a irmã com uma faca dentro de casa e desferido um soco no pai que lhe provocou a fratura de três costelas.
Mas, com o fechamento da unidade de custódia, os pais teriam voltado atrás. Ainda assim, Mateus não mora com eles, mas sozinho em uma quitinete. O apartamento fica próximo ao Shopping Barra, estabelecimento comercial no qual Mateus foi visto passeando em imagens que circulam nas redes sociais.
Ainda de acordo com a análise dos autos feita pelo jornal, não foram encontrados registros de visitas, entrevistas ou avaliações realizadas por peritos judiciais de Mateus após sua desinternação. As medidas seriam necessárias para conferir se ele permanece seguindo o tratamento psiquiátrico.
Segundo laudos, o autor da chacina apresenta transtorno de personalidade esquizóide com evolução para esquizofrenia paranoide, associado a traços significativos de transtorno de personalidade antissocial e psicopatia, além de histórico de abuso de cocaína e álcool.
Há a descrição de delírios persecutórios persistentes, alucinações auditivas, isolamento social, embotamento afetivo, impulsividade, baixa tolerância à frustração, dificuldade de convívio social, rebaixamento do juízo crítico e elevado risco de comportamento violento.