Acusado de matar a própria mãe para ficar com a herança, Bruno Eustáquio Vieira foi condenado a 27 anos de prisão, na quinta-feira, 16. O crime contra Márcia Lanzane, de 44 anos, ocorreu em dezembro de 2020, em Guarujá, no litoral de São Paulo, e o rapaz ficou três anos e meio foragido.
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Além do homicídio, Vieira também foi condenado a seis meses de detenção por fraude processual pelo Tribunal do Júri de Guarujá. Isso porque ele tentou ocultar das autoridades as imagens que mostravam o crime. As gravações foram encontradas no forno da residência onde o bacharel em Direito morava com a mãe.
A investigação apontou que o rapaz asfixiou Márcia durante uma briga. Durante o julgamento, o promotor Rui Fellipe Nicolai Xavier Silva Buchmann sustentou que o crime foi premeditado e motivado por interesses financeiros.
Segundo as investigações, a mãe do rapaz arcou com a sua formação na faculdade e comprou uma motocicleta para ele. No entanto, o filho continuava a exigir dinheiro, bens e até o custeio de um novo curso superior. Ele pressionava a mulher a vender ou alugar o imóvel família para se mudar para uma região mais valorizada, o que gerava brigas constantes entre eles.
Como a mãe recusou, segundo a Ministério Público, ele decidiu matar a vítima para ficar com o patrimônio e eventuais valores de seguros. Diante das provas apresentadas no plenário, o Conselho de Sentença reconheceu que o homicídio foi cometido mediante asfixia, por motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e em contexto de violência doméstica e familiar.
“O dolo é exacerbado, demonstrado pela frieza e dissimulação após os fatos. Valoro negativamente, ainda, as consequências do crime. Foi relatado, de modo emocionado e consistente, pelas testemunhas de acusação, o extremo abalo psicológico à família causado pelos fatos praticados pelo réu. Está comprovado que o ocorrido excede o sofrimento natural decorrente do luto. O fato causou graves problemas familiares de ordem psicológica, tanto para as irmãs, quanto para as sobrinhas da vítima”, escreveu a a juíza Karine Pizzani Miranda.
Relembre o caso
Imagens do circuito de câmeras de segurança da residência, no bairro Sítio Cachoeirinha, mostram o momento em que mãe e filho entram em luta corporal, na noite de 21 de dezembro de 2020. Ambos caem no chão, e Vieira fica em cima de Márcia, prendendo seu pescoço. Logo em seguida, ele passa a dar socos na vítima, até que ela para de se mexer.
Após o crime, o rapaz age com frieza. As imagens mostram que ele sai do quarto onde matou a mãe e segue para a sala, onde vê televisão. Na manhã seguinte, o bacharel em Direito sai de casa e, supostamente, vai à academia. Quando retorna ao imóvel, aciona a PM, avisando que encontrou a mãe sem vida. As imagens do crime foram encontradas dentro do forno do fogão.
Ele foi indiciado pelo crime e era considerado foragido desde junho de 2021. O homem só foi preso em julho de 2024, em Belo Horizonte (MG), após as irmãs da vítima encontrarem seu paradeiro e avisarem a Polícia Militar. Elas iniciaram uma investigação paralela e, por meio das redes sociais de uma namorada do sobrinho, elas conseguiram descobrir que ele estava morando na capital mineira.