Jovem questiona ‘desadoção’ na Justiça após perder sobrenome de mães

Flávio assinou documentos que encerram vínculo de filiação com família adotiva

8 jun 2026 - 12h18
(atualizado às 12h28)
Flávio da Silva Maximiano Júnior entrou na justiça para reaver decisão por "desadoção"
Flávio da Silva Maximiano Júnior entrou na justiça para reaver decisão por "desadoção"
Foto: Reprodução/TV Globo

Um jovem de Santa Catarina deixou a casa das mães adotivas após uma discussão familiar e assinou um documento em que abre mão de seus direitos como filho adotivo. Agora, ele tenta reverter a ação na Justiça apontando ilegalidade no processo de “desadoção”.

O caso foi revelado em uma reportagem da TV Globo neste domingo, 7. Flávio da Silva Maximiano Júnior mudou os sobrenomes e passou a ser Flávio Luiz Moroso Terres após ser adotado, ainda na infância pela advogada Lilian Regina Terres Moroso e pela juíza Sonia Moroso Terres. Na adolescência, ele viveu com o irmão, que também foi adotado pelas mulheres.

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Quando completou 18 anos, uma discussão fez Flávio romper com a família por causa da namorada. As mães o obrigaram a escolher entre ficar com elas, ou com a garota. Flávio contou que, por exigência de Lilian, assinou um documento em que perdia todos os direitos como filho, incluindo o sobrenome. 

Ele relatou que no dia seguinte à discussão, uma advogada que trabalhava com as mães o procurou para entregar a documentação. Ele assinou uma procuração e um pedido para que a adoção fosse desfeita. O caso foi homologado pela Justiça em 45 horas e ele deixou de ser filho de Lilian e Sonia.

Atualmente, Flávio tem 21 anos e entrou com uma ação rescisória para anular a sentença, alegando que houve fraude processual, rapidez na decisão e ausência de audiência ou de estudo psicossocial para autorizar o rompimento do vínculo com as mães adotivas.

A defesa do rapaz diz que ele não quer recuperar o sobrenome da família adotiva, mas retomar os direitos da filiação, além de voltar a conviver com o irmão. “Hoje, o Flávio não tem uma família. Ele foi devolvido a ninguém”, argumentou Rodrigo dos Santos Monteiro, advogado de Flávio, à TV Globo.

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O jovem também tem uma irmã mais velha, que também foi adotada por Lilian e Sonia, mas não se adaptou e retornou para o abrigo após dois meses de convivência.

O caso se trata de um “divórcio filial”, segundo o Ministério Público de Santa Catarina, o que não é previsto na lei. “O ordenamento jurídico brasileiro não admite a extinção da filiação – biológica ou adotiva – pela mera ruptura afetiva”, disse o órgão.

O assunto é analisado na esfera administrativa e judicial pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

As mães adotivas contestam a versão de Flávio e afirmam que a iniciativa de desfazer a adoção partiu dele. Elas alegaram ter tentado convencê-lo de desistir da ideia e que aceitaram a decisão com sofrimento.

Enquanto aguarda uma decisão, Flávio trabalha com manutenção elétrica de embarcações em Itajaí, Santa Catarina, e tenta reconstruir a própria vida. Ele disse que não considera normal precisar abrir mão do próprio nome para sair da casa das mães e seguir o próprio rumo.

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Apesar da disputa judicial na família, ele diz que segue planejando o futuro. “Vou ser alguém na vida, vou ter minha família, meus filhos e vou ser muito feliz”, concluiu.

Fonte: Portal Terra
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