A Justiça de Minas Gerais absolveu nesta segunda-feira, 21, o argentino Nahuel Jeremias Maldonado, 29, acusado de racismo durante a partida entre Cruzeiro e Boca Juniors, pela Copa Libertadores, no estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG), em 28 de abril passado.
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Em decisão proferida na 5ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, o juiz José Romualdo Duarte Mendes apontou que as provas, e especialmente as testemunhas, não comprovaram o crime.
"Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE A DENÚNCIA e o faço para ABSOLVER NAHUEL JEREMIAS MALDONADO", decidiu Duarte Mendes. A decisão também rejeitou pedidos de pagamento de 10 salários mínimos a título de indenização por danos morais, suspensão de direitos políticos e proibição da entrada do argentino em estádios.
Relembre o caso
Na ocasião da partida, válida pela fase de grupos da Copa Libertadores, Maldonado, que estava na arquibancada da torcida visitante, foi preso em flagrante após praticar gestos que levantaram a suspeita de preconceito racial em direção aos torcedores do Cruzeiro.
Na denúncia apresentada pelo Ministério Público consta que o argentino levou as mãos às orelhas e alisou o próprio braço, atos que foram apontados como de 'conotação historicamente discriminatória'.
O caso também foi parar nas redes sociais: a emissora Rádio e TV Elo, de Santa Luiza (MG), publicou vídeos que mostram os gestos do argentino em direção à torcida brasileira (veja abaixo).
🏟️: Torcedor do Boca que foi preso por racismo.
🚓🚨
📸: Rádio TV Elo pic.twitter.com/Wyfxq07vKW
— Dan Abreu (@danabreus) April 29, 2026
Um dia após a prisão em flagrante, Maldonado passou por audiência de custódia e teve concendida a liberdade provisória, sob a imposição de medidas cautelares.
Já em maio, a Justiça de Minas Gerais recebeu a denúncia contra o argentino. Em depoimento, Maldonado negou ter praticado gesto racista e que limitou-se a provocações 'desportivas e culturais'. Sobre os gestos, disse ter imitado o personagem infantil Topo Gigio e feito gesto 'vulgar habitual em estádios argentinos.
A defesa de Maldonado sustentou, ainda, a ausência de testemunhas diretas que pudessem confirmar que o réu praticou, de fato, gestos racistas à torcida do Cruzeiro. Segundo Duarte Mendes, a acusação se baseou em um vídeo de apenas 4 segundos e no depoimento contraditório de um segurança privado.
"Não há nos autos, portanto, testemunha presencial direta da acusação que tenha atestado de forma inequívoca o contexto e a conotação discriminatória dos gestos no instante em que foram executados", afirmou o juiz responsável pelo caso.