Para combater o calor extremo e proteger a saúde dos trabalhadores, o Japão passou a adotar cabines de resfriamento corporal conhecidas como "geladeiras para humanos". A iniciativa busca prevenir casos graves de estresse térmico e insolação em ambientes de trabalho vulneráveis a altas temperaturas, oferecendo um espaço de recuperação rápida para reduzir a temperatura corporal e garantir a segurança laboral durante períodos de calor intenso.
Para enfrentar as ondas de calor sufocante que atingem o país, empresas japonesas começaram a adotar uma solução inusitada para proteger seus funcionários. O dispositivo, chamado de geladeira para humanos, foi desenvolvido pela distribuidora Trusco Nakayama sob o nome comercial Do Hiemon Box. A novidade tem o tamanho aproximado de uma cabine telefônica e utiliza jatos de ar a 5°C para resfriar rapidamente o corpo de quem entra no compartimento.
A aceitação do público tem sido expressiva em setores que exigem esforço físico intenso. Desde o lançamento em abril, a empresa já comercializou mais de 300 unidades do equipamento, vendido ao preço de 1,5 milhão de ienes. As cabines são instaladas principalmente em depósitos, canteiros de obras e áreas fabris, com potencial de expansão para estádios de beisebol e campos de golfe.
Como funciona geladeira para humanos?
O funcionamento do aparelho é simples e prático para a rotina industrial. A cabine precisa apenas de uma tomada elétrica padrão para funcionar e possui desligamento automático programado para 20 minutos, evitando o consumo excessivo de energia. O tempo médio de permanência dos funcionários costuma ser bem menor, durando cerca de dois minutos para secar o suor e restaurar a disposição.
Trabalhadores como Isao Tabuchi e Taichi Konishi, que atuam na cidade de Higashiosaka transportando cargas pesadas ou pedalando sob o sol, relatam alívio imediato após usar a máquina. O resfriamento rápido ajuda a reduzir a sensação de tontura e combate a exaustão provocada pelas altas temperaturas do verão asiático.
Mudanças climáticas e exigências de segurança no Japão
A adoção da geladeira para humanos reflete um cenário de emergência climática no país. A Agência Meteorológica do Japão passou a adotar o termo kokushobi para classificar dias com temperaturas de 40°C ou mais, condição tratada como desastre natural. Apenas entre julho e agosto, dezenas de mortes e mais de 60 mil atendimentos médicos de emergência foram registrados devido ao calor.
Aliado aos riscos de saúde, o impacto econômico levou o governo a endurecer as regras de segurança do trabalho. Pesquisas da Teikoku Databank mostram que metade das empresas japonesas sente prejuízos operacionais por causa do clima. Como resposta, as corporações investem em jaquetas ventiladas, espaços sombreados e tecnologias de ponta para garantir a produtividade e a saúde das equipes.