Irã desafia pressão sobre o estreito e Trump diz a norte-americanos para aceitarem preços altos da gasolina

15 ago 2026 - 11h02
(atualizado às 11h34)

O Irã pediu aos Estados Unidos que aceitassem a ‌derrota, enquanto o presidente Donald Trump classificou o país como "muito maligno" e disse aos norte-americanos que se preparassem para a continuidade dos altos preços dos combustíveis devido à guerra.

O avanço das negociações de paz e o tráfego de petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz continuavam paralisados, sem sinais de que as partes em conflito estivessem se movendo para encerrar a guerra iniciada pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro.

Publicidade

"Este estreito será aberto e fechado apenas sob o comando do Irã e, enquanto vocês não aceitarem a realidade da derrota e não deixarem de alimentar fantasias, ⁠o Irã continuará a impor o bloqueio", escreveu o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, na rede X na manhã deste sábado.

GASOLINA NOS ‌EUA SOBE 29% EM UM ANO; IRÃ TAMBÉM SENTE O IMPACTO

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que o Irã ainda não decidiu retomar as negociações com os Estados Unidos. Em entrevista publicada neste sábado pelo veículo iraniano Shahrara News, ele disse que Washington precisa atender ‌a determinadas condições relacionadas ao estreito para que a navegação seja retomada nessa rota ‌marítima, responsável por um quinto do petróleo mundial antes da guerra.

Trump pediu aos norte-americanos que aceitassem preços um pouco mais altos da ⁠gasolina enquanto o conflito com o Irã continuar.

Publicidade

Em um comício político realizado na sexta-feira em Garden City, Nova York, ele afirmou que pagar "um pouquinho a mais pela gasolina" vale a pena para garantir que "um país muito maligno" não obtenha uma arma nuclear, uma das justificativas apresentadas pelo presidente dos EUA para a guerra.

Em uma tendência que tem alimentado a inflação e frustrado os eleitores, o preço médio do galão de gasolina nos EUA era de cerca de US$4,08 na sexta-feira, alta de 29% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Americana do Automóvel (AAA).

Trump, republicano, fez campanha pela ‌reeleição prometendo reduzir os custos de energia, e os democratas buscam transformar os impactos da guerra em um tema central das eleições legislativas de novembro.

Os contratos ‌futuros do petróleo bruto subiram US$1 por barril ⁠na sexta-feira. 

"O Estreito de Ormuz não ⁠pode ser tomado por um tuíte ou por um porta-aviões, nem por uma ordem ou por um discurso eleitoral", disse Gharibabadi.

Publicidade

Apesar do tom desafiador do Irã, havia ⁠sinais de que o país também estava sofrendo consequências econômicas.

O presidente Masoud Pezeshkian, em ‌declarações transmitidas pela televisão estatal, atribuiu a alta ‌inflação ao bloqueio dos portos iranianos pelos EUA e às sanções sobre as exportações de petróleo do país.

NENHUM NAVIO DE PETRÓLEO BRUTO TRANSITA PELO ESTREITO

Trump e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, prometeram causar ainda mais danos financeiros ao Irã. Em entrevista ao programa Rob Schmitt Tonight, da Newsmax, na quinta-feira, Bessent afirmou que novas medidas contra Teerã seriam anunciadas na semana seguinte.

Teerã chama suas ações ⁠de controle do tráfego marítimo no estreito de "bloqueio", o mesmo termo que Washington utiliza para descrever sua ameaça contra embarcações iranianas que deixam os portos do país.

Publicidade

"O que estamos fazendo é um grande serviço para o mundo, não apenas para nós mesmos... e estamos realizando um excelente trabalho", disse Trump, acrescentando que uma missão de 260 dias de um porta-aviões norte-americano em apoio ao esforço de guerra foi "nem de perto longa o suficiente".

Apenas duas embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz na sexta-feira, sem qualquer carregamento visível ‌de petróleo bruto, segundo análise da empresa de rastreamento marítimo Kpler. Alguns navios podem cruzar a região sem serem detectados, com seus transponders desligados, mas os números estão muito longe das mais de 130 embarcações que atravessavam o estreito diariamente antes da guerra.

Navios que se arriscam a ⁠navegar pelo estreito sem autorização iraniana correm o risco de sofrer ataques com mísseis ou drones.

A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc), dos Emirados Árabes Unidos, informou que duas de suas embarcações foram atacadas enquanto transitavam pelo estreito na noite de quinta-feira. A agência estatal emiradense WAM também noticiou que outro navio foi alvo de um ataque na sexta-feira.

Um navio graneleiro foi atingido no casco por um projétil de origem desconhecida no Estreito de Ormuz na sexta-feira, informou neste sábado o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. Segundo a entidade, a tripulação está segura, não houve divulgação de avaliação dos danos e o impacto ambiental permanece desconhecido.

Publicidade

Um acordo preliminar firmado em junho para encerrar a guerra está em frangalhos.

"Não tivemos um cessar-fogo inicialmente que agora desejássemos estender", disse Araqchi. "Tivemos 'o fim da guerra', e agora existe uma nova situação."

Ataques dos houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, renovaram os temores de uma ampliação do conflito regional. O governo internacionalmente reconhecido do Iêmen afirmou que os houthis dispararam seis mísseis balísticos contra o porto de Mocha, no Mar Vermelho, na sexta-feira, matando quatro civis.

A agência Saba, controlada pelos houthis, citou uma fonte militar segundo a qual o grupo atacou uma instalação da Aramco na cidade saudita de Najran utilizando um drone.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se