Integração entre Mercosul e União Europeia cria bloco econômico com PIB de US$ 22 trilhões

Acordo comercial deve ser assinado no Paraguai no próximo dia 17 e prevê o livre comércio para um mercado consumidor composto por 720 milhões de pessoas

9 jan 2026 - 18h57

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, destravado nesta sexta-feira (9), resultará na formação de uma área econômica com Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões. Segundo dados dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a parceria integrará aproximadamente 720 milhões de habitantes, consolidando-se como um dos maiores tratados já pactuados pelos dois blocos.

Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

O avanço do texto ocorreu após o Conselho Europeu atingir a maioria necessária para a autorização, processo facilitado pelo posicionamento favorável da Itália. Para a validação nesta etapa, o regimento exigia o apoio de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, que somassem 65% da população total do bloco europeu.

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A assinatura formal do tratado está prevista para o dia 17 de janeiro, em Assunção, sob a presidência rotativa do Paraguai no Mercosul. Após este ato, o documento seguirá para o Parlamento Europeu, onde precisará de maioria simples para aprovação, e posteriormente deverá ser ratificado individualmente pelas partes envolvidas para entrar em vigor plenamente.

O tratado estabelece normas para a redução de barreiras alfandegárias em diversos setores:

  • Exportações europeias: O Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos produtos, incluindo veículos, em um cronograma de 15 anos.

  • Exportações sul-americanas: A União Europeia extinguirá gradualmente impostos sobre 92% dos itens originários do Mercosul em até dez anos.

Especialistas e membros da Comissão Europeia indicam que o acordo funciona como uma alternativa estratégica para reduzir a dependência comercial da China, especialmente no fornecimento de minerais essenciais para a transição energética, como o lítio.

Para o Brasil, o acordo representa uma oportunidade de diversificação de destinos para as exportações. Em um cenário de oscilações na demanda chinesa por carne bovina, o mercado europeu surge como uma opção de alta previsibilidade institucional. Além do agronegócio, o governo brasileiro destaca o potencial de aumento nas vendas de produtos industriais com maior valor agregado.

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o texto final do bloco econômico com PIB de US$ 22 trilhões contempla salvaguardas para o setor agrícola europeu, buscando equilibrar a abertura de mercado com a proteção de produtores locais.

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