Lula nomeia ministro interino da Justiça e PT disputa vaga ainda não criada da Segurança

Manoel Carlos de Almeida Neto vai comandar ministério no lugar de Lewandowski, em caráter temporário; diretor-geral da PF e titular da CGU entram na queda de braço por Segurança Pública, caso pasta saia do papel

9 jan 2026 - 23h14

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou nesta sexta-feira, 9, o secretário executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto, como ministro interino da pasta. O despacho com a exoneração a pedido de Ricardo Lewandowski e a nomeação de Manoel Carlos em caráter temporário saiu em edição extra do Diário Oficial da União.

Com a decisão, o presidente sinaliza que pode demorar a escolher o sucessor definitivo de Lewandowski. Lula quer dividir o ministério, criando uma pasta exclusiva para a segurança, mas ainda avalia as condições para isso.

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A saída de Lewandowski e a intenção do presidente de separar as atribuições da Justiça e da Segurança Pública desencadearam uma queda de braço nas fileiras do PT e no seu entorno por duas vagas.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, disputam a cadeira da Segurança, ainda não criada. Uma ala do PT também defende o nome da deputada Delegada Adriana Accorsi e outra aposta no secretário de Segurança do Piauí, Francisco Lucas Veloso.

O secretário é o nome preferido do governador Rafael Fonteles e do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias. Corre por fora o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho.

O interino, Manoel Carlos, tem a confiança e o apoio de Lewandowski para ficar no comando da Justiça, mas também está no páreo o advogado-geral da Petrobras, Wellington Cesar Lima e Silva.

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O cargo pode servir, ainda, para que Lula faça uma composição política, uma vez que aproximadamente 20 dos 38 ministros vão sair do governo até o início de abril para disputar as eleições de outubro. Nesse xadrez, um dos partidos que tendem a ser contemplados é o PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin.

O senador Rodrigo Pacheco, que deve deixar o PSD, voltou a ser citado para a Justiça, mas tem dito que não quer um prêmio de consolação. Ex-presidente do Senado, Pacheco queria ter sido indicado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mas Lula preferiu o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A escolha irritou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que defendia o nome de Pacheco para a Corte. Lula ainda não desistiu de lançar Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais, mas até agora não houve acordo sobre isso. De qualquer forma, o senador deixará as fileiras do PSD de Gilberto Kassab e pode migrar para o PSB ou para o MDB.

Messias, por sua vez, ainda terá de passar por sabatina no Senado, na volta do recesso parlamentar. O Palácio do Planalto avalia que as resistências a Messias diminuíram após uma conversa entre Lula e Alcolumbre, antes do Natal.

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