A celebração da Páscoa em 2026 ganhou um contorno de debate econômico e social após um vídeo da influenciadora Ana Paula Siebert viralizar no TikTok. Na gravação, que já ultrapassa a marca de 1,4 milhão de visualizações, a modelo exibe detalhes de um ovo de Páscoa monumental, inspirado nas lendárias joias do joalheiro russo Peter Carl Fabergé. A peça, assinada pelo confeiteiro Denilson Lima, conhecido como o "confeiteiro dos famosos", faz parte de uma coleção exclusiva onde os valores podem atingir impressionantes R$ 22 mil.
A peça em questão não é apenas um doce, mas uma estrutura de 15 kg de chocolate belga meio amargo, com pedaços de castanha de caju, recheio de caramelo com flor de sal e ganache ao toque de Gran Manier. Visualmente, o ovo impressiona pelos arabescos dourados e a reprodução fiel da estética imperial russa, que originalmente utilizava metais e pedras preciosas como diamantes e rubis. No catálogo de Lima, as opções da linha Fabergé começam em R$ 1,6 mil para unidades de 1 kg, com sabores exóticos como caviar de vanilla e calda de framboesa.
Entre a arte e a crítica: O peso da exclusividade
Como era de se esperar em um cenário de grande desigualdade, a recepção do público foi polarizada. Nos comentários da publicação de Siebert (mencionada anteriormente), muitos internautas questionaram a ética por trás de um consumo tão elevado para um item perecível. "R$ 20.000 em um ovo? Qual é mesmo o sentido de Páscoa para quem compra isso?", disparou uma seguidora. Outros usuários foram mais diretos na crítica estética: "Acho isso muito brega e fútil". Em contrapartida, admiradores do trabalho manual defenderam a obra como uma forma de arte efêmera: "Um trabalho lindo de se ver", pontuou outro internauta.
Para Denilson Lima, que já atendeu celebridades do primeiro escalão como Luan Santana e Virgínia Fonseca, o preço é reflexo de uma logística complexa. Além disso, ele afirma que usa ingredientes de altíssima qualidade.
Em ocasiões anteriores, o confeiteiro defendeu que o valor não reside apenas nos insumos importados, mas no tempo de dedicação de sua equipe especializada. "O motivo do valor praticado é a qualidade de todo os ingredientes utilizados na produção e a quantidade de horas necessárias de toda a equipe para reproduzir fielmente as joias", explicou a empresa em nota oficial. Cada unidade de luxo demanda cerca de dois dias inteiros de trabalho manual ininterrupto.
Ovo de Páscoa de R$ 22 mil e panetone de R$ 6 mil
Esta não é a primeira vez que o nome de Denilson Lima aparece vinculado a polêmicas de preços elevados no calendário festivo brasileiro. No Natal de 2025, um panetone assinado por ele, avaliado em R$ 6 mil, também gerou discussões acaloradas. Na época, o profissional enfatizou o processo criativo quase isolado necessário para atingir tal nível de detalhamento: "Quando eu sento para criar, eu realmente não posso resolver nada. Ninguém pode falar comigo", afirmou o confeiteiro à época.