Homem morre após receber transplante de rim de doador infectado com o vírus da raiva

A morte trágica de um paciente nos Estados Unidos após receber um transplante de rim acende um alerta sobre protocolos de segurança em doações de órgãos

30 mai 2026 - 14h09

Um procedimento que deveria salvar uma vida acabou resultando em uma tragédia sem precedentes recentes na medicina norte-americana. O carteiro aposentado Barney Kurowicki estava muito otimista com a oportunidade de receber um novo rim. O órgão pertencia a um doador falecido em Idaho, aos 59 anos. Infelizmente, o desfecho do transplante foi fatal devido a uma contaminação severa.

Barney Kurowicki (à esquerda) recebeu um rim com o vírus da raiva de James Martin
Barney Kurowicki (à esquerda) recebeu um rim com o vírus da raiva de James Martin
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

O receptor do órgão faleceu poucos dias após a cirurgia. Os exames posteriores confirmaram que o rim transplantado estava infectado com o vírus da raiva. A transmissão para o doador original, identificado como James Martin, ocorreu por meio do ataque de um gambá. O caso aconteceu originalmente em dezembro de 2024, mas os detalhes da investigação médica só foram divulgados esta semana pela imprensa internacional.

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Sintomas misteriosos surgem após a cirurgia

Uma reportagem veiculada no veículo Scripps News trouxe detalhes reveladores sobre o histórico de saúde do doador. A família de James acreditava que ele havia falecido em decorrência de problemas cardíacos graves. A viúva do doador demonstrou surpresa com a descoberta da verdadeira causa do óbito. "Não tínhamos ideia", disse Kim Martin sobre a infecção por raiva.

Logo após passar pelo procedimento cirúrgico complexo no Centro Médico da Universidade de Toledo, em Ohio, o paciente aposentado começou a manifestar os primeiros sinais de que algo estava errado. Ele apresentou tremores severos, fraqueza acentuada nos membros inferiores e um quadro de confusão mental que evoluiu rapidamente. O sintoma que mais intrigou a equipe de saúde foi um medo inexplicável de água, manifestação clássica da hidrofobia. Diante do avanço avassalador da enfermidade, Barney morreu em poucos dias.

Testes em órgãos não detectaram o vírus da raiva

A autópsia detalhada do corpo do receptor confirmou formalmente a presença do vírus da raiva no organismo. O processo padrão de triagem de órgãos seguiu as normas vigentes na época. Os tecidos doados pela família de James passaram por testes rigorosos para identificar doenças específicas, como o vírus HIV e os diferentes tipos de hepatite. Contudo, os exames de rotina realizados antes do envio para os receptores não incluíam a pesquisa para o vírus da raiva.

A segurança dos transplantes em debate

Ocorrências dessa natureza epidemiológica são consideradas extremamente incomuns pelos especialistas em saúde pública. A última vez em que os órgãos de saúde registraram oficialmente um caso de contágio de raiva por meio de transplante de órgão ou tecido em solo americano foi em 2013. O registro anterior a esse havia ocorrido apenas no ano de 2004.

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Representantes das autoridades sanitárias reforçaram que o sistema de doações permanece confiável. "Este é um evento muito raro. O transplante de órgãos nos Estados Unidos é muito seguro", declarou David McCormick, médico do Escritório de Segurança de Sangue, Órgãos e Outros Tecidos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, de acordo com o NY Post. A comunidade médica ressalta que a raiva apresenta uma taxa de letalidade de quase 100% após o início dos primeiros sintomas clínicos no paciente.

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