Hantavírus em cruzeiro: países organizam resgate de passageiros em ilha espanhola

Países europeus e Estados Unidos enviam aviões para retirar cidadãos do MV Hondius após surto fatal em alto-mar

9 mai 2026 - 16h54

A mobilização internacional para conter as consequências de um surto infeccioso ganhou novos capítulos neste sábado com a confirmação de uma grande operação de evacuação aérea. Países como Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda ratificaram o envio de aeronaves específicas para retirar seus cidadãos do cruzeiro MV Hondius, que foi atingido por um surto de hantavírus durante sua travessia. A previsão das autoridades portuárias e sanitárias é que a embarcação atraque no Porto de Granadilla, em Tenerife, na Espanha, durante a madrugada de domingo. De acordo com o cronograma estabelecido, o desembarque deve ocorrer entre 3h e 5h do horário local, o que corresponde ao início da madrugada no horário de Brasília.

Países enviam aviões para evacuar o navio MV Hondius após surto de hantavírus
Países enviam aviões para evacuar o navio MV Hondius após surto de hantavírus
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

Logística de evacuação aérea em Tenerife

As diretrizes para essa operação complexa foram apresentadas pelo ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, em conjunto com a ministra da Saúde espanhola, Mônica Garcia. Além das nações europeias já mencionadas, os Estados Unidos confirmaram que enviarão transporte aéreo para o resgate de seus nacionais. A União Europeia também se comprometeu a deslocar mais duas aeronaves para garantir que nenhum cidadão do bloco permaneça sem assistência. Em um gesto de cooperação global, o Reino Unido e os EUA anunciaram planos de contingência para auxiliar países de fora da União Europeia que não possuam meios próprios de realizar o transporte de seus habitantes neste momento crítico.

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A estratégia de desembarque prioriza a segurança sanitária rigorosa dos envolvidos. Os espanhóis serão os primeiros a deixar o navio, mas a saída dos demais grupos depende exclusivamente da prontidão dos aviões de seus respectivos países. "Os passageiros poderão levar consigo apenas pertences essenciais — a bagagem restante, assim como os corpos das pessoas que morreram à bordo, permanecerão no navio e serão levados para a Holanda, onde serão desinfetados", explicou a ministra Mônica Garcia. Ela reforçou que todos devem utilizar máscaras obrigatoriamente para mitigar qualquer risco de contágio, embora tenha pontuado que "o risco para a população em geral permanece baixo" diante das medidas de contenção adotadas.

Monitoramento da OMS e histórico do surto

A gravidade do episódio é monitorada de perto pela Organização Mundial da Saúde, que confirmou ao menos três óbitos durante a viagem que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde. O diretor-geral da instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, deslocou-se pessoalmente para a Espanha para supervisionar o processo de desembarque seguro. Em comunicações recentes, ele destacou que mantém contato constante com o capitão do MV Hondius e com técnicos da organização que estão embarcados. Segundo o diretor, no presente momento não existem passageiros manifestando sintomas novos da doença, mas o alerta continua alto.

O rastreamento epidemiológico sugere que o contágio inicial pode ter ocorrido durante um voo em Joanesburgo, na África do Sul, antes mesmo do embarque de alguns passageiros. Tedros Adhanom Ghebreyesus já havia sinalizado anteriormente que o longo período de incubação do hantavírus exige cautela, pois novos diagnósticos podem surgir nos próximos dias. A evacuação total deve ser concluída até a tarde de segunda-feira, envolvendo todos os passageiros e parte da tripulação. Enquanto 17 tripulantes desembarcam em Tenerife, outros 30 profissionais seguirão com o navio para o processo de desinfecção em território holandês, encerrando a jornada da embarcação marcada pela tragédia sanitária.

Detalhamento dos casos confirmados e óbitos

O retrospecto dos casos revela a agressividade da infecção desde o início de abril. O primeiro registro foi de um homem que desenvolveu sintomas no dia 6 e faleceu em 11 de abril, embora inicialmente a causa tenha sido confundida com outras patologias respiratórias. Posteriormente, sua esposa também adoeceu e faleceu na África do Sul, onde testes confirmaram a presença do hantavírus. A terceira fatalidade confirmada foi de uma passageira alemã que morreu no início de maio a bordo da embarcação. Outros casos incluem um cidadão britânico que permanece em terapia intensiva e pacientes que já se encontram em condição estável ou assintomática após serem evacuados de pontos estratégicos como a ilha de Ascensão e Santa Helena.

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