O governo da França oficializou, por meio de comunicado emitido pelo presidente Emmanuel Macron nesta quinta-feira (8), que votará contra a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão foi transmitida à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e será formalizada na reunião de embaixadores do bloco programada para sexta-feira (9).
La France a décidé de voter contre la signature de l'accord entre l'Union européenne et les pays du Mercosur.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) January 8, 2026
A posição francesa fundamenta-se na proteção do setor agrícola nacional. Macron afirmou que o texto atual não atende às exigências do país e que Paris se opõe a tentativas de acelerar a aprovação do pacto. Para os produtores rurais franceses, o tratado representa um risco de concorrência com produtos sul-americanos, que possuem custos menores e operam sob normas ambientais distintas das vigentes na Europa.
Como medida imediata, a França decretou a suspensão temporária, por um ano, da importação de produtos como abacates, mangas, batatas e frutas cítricas provenientes da América do Sul que contenham resíduos de cinco agrotóxicos proibidos no bloco europeu: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil. A medida aguarda validação da Comissão Europeia.
Além da França, nações como Irlanda, Hungria e Polônia manifestam resistência ao tratado. Em contrapartida, Alemanha e Espanha, lideradas pelo chanceler Friedrich Merz e pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, defendem a assinatura imediata para reduzir a dependência comercial da China e enfrentar tarifas de exportação de outros mercados.
A Itália, que anteriormente indicou oposição, sinalizou que pode votar a favor do acordo após a Comissão Europeia propor um aporte de 45 bilhões de euros para agricultores do bloco. Para a aprovação, são necessários os votos de 15 dos 27 Estados-membros, representando 65% da população da União Europeia.
O acordo, em discussão há mais de 25 anos, estabelece a redução progressiva de tarifas de importação e exportação, além de normas para bens industriais, serviços e propriedade intelectual. Para o Brasil, o tratado representa a abertura de um mercado de 451 milhões de consumidores, com reflexos na indústria e no agronegócio. O Itamaraty não emitiu comentários sobre a declaração francesa.
Caso o Conselho da União Europeia autorize o texto nesta sexta-feira, a assinatura formal poderá ocorrer na segunda-feira (12), no Paraguai.