Criada por Geovany Lima, campanha arrecadou recursos para garantir fraldas a cães resgatados e manter um abrigo dedicado a animais com deficiência
Há cuidados que quase ninguém vê.
Trocar uma fralda, por exemplo, pode parecer uma tarefa simples. Para quem cuida de um cão paraplégico, porém, ela faz parte de uma rotina essencial para garantir higiene, conforto e qualidade de vida.
Foi a partir dessa realidade que nasceu o projeto "Fraldas dos Paraplégicos", criado por Geovany Lima, para ajudar cães resgatados que perderam os movimentos das patas e precisam de cuidados especiais todos os dias.
A campanha criada na Vakinha já atingiu a meta estabelecida, permitindo que o projeto continue garantindo um dos itens mais básicos — e também mais importantes — para os animais acolhidos.
"Minha tutora me deu uma paulada"
É impossível passar pelas imagens dos animais atendidos pelo projeto sem parar para conhecê-los.
Um cachorro aparece sentado, usando uma fralda. No pescoço, uma placa conta parte de sua história:
"Minha tutora me deu uma paulada na minha coluna que fiquei paraplégico. Quer doar minha fralda?"
Outro animal carrega uma história diferente:
"Minha família me deixou na rua, fui atropelada, fiquei paraplégica e por isso fui abandonada."
São histórias diferentes, mas que chegam ao mesmo lugar: um espaço onde esses animais podem receber os cuidados que precisam.
O projeto mantém um abrigo especializado em cães paraplégicos resgatados, oferecendo acolhimento, cuidados e a possibilidade de encontrar uma nova família.
Quando uma fralda vira cuidado
Para um cão paraplégico, a rotina não termina quando ele é resgatado.
A ausência de mobilidade exige uma série de cuidados contínuos, e a higiene é um deles. As fraldas fazem parte do dia a dia dos animais acolhidos pelo projeto.
O abrigo chega a gastar cerca de R$ 5.100 por mês somente com esse item.
Por isso, o projeto criou a campanha: transformar a solidariedade das pessoas em um recurso capaz de sustentar uma necessidade cotidiana dos animais.
Mais do que comprar um produto, a arrecadação ajuda a manter uma rotina de cuidado.
É o tipo de despesa que raramente aparece nas histórias de resgate, mas que está presente todos os dias depois que o animal encontra um lugar seguro.
Um abrigo para quem quase sempre fica por último na fila da adoção
Além das necessidades físicas, existe outro desafio: encontrar uma família para cães com deficiência.
Animais paraplégicos costumam precisar de adaptações e cuidados específicos, o que pode tornar o processo de adoção mais difícil.
O projeto de Geovany busca justamente oferecer uma alternativa para esses cães.
Eles são resgatados, recebem os cuidados necessários e permanecem no abrigo enquanto aguardam uma oportunidade de encontrar uma família.
Alguns chegaram depois de atropelamentos. Outros foram vítimas de maus-tratos. Há também aqueles que foram abandonados justamente depois de adquirirem uma deficiência.
Em comum, todos têm a necessidade de serem cuidados — e uma vida inteira pela frente.
A campanha chegou à meta
A Vakinha criada para ajudar o projeto com a compra das fraldas já atingiu a meta.
O resultado representa mais do que um número na plataforma: significa que uma despesa recorrente do abrigo pode ser compartilhada por uma comunidade de pessoas que decidiu acreditar na causa.
A mobilização também ajuda a chamar atenção para uma realidade que muitas vezes passa despercebida: resgatar um animal é apenas o começo.
Depois do resgate vêm alimentação, medicamentos, consultas, tratamentos, adaptações, higiene e uma rotina de cuidados que pode durar por toda a vida.
No caso dos cães paraplégicos, essa responsabilidade é ainda maior.
Uma nova chance não precisa significar voltar a andar
Talvez essa seja a parte mais bonita do projeto.
O objetivo não é fazer com que esses cães se tornem aquilo que eram antes.
É permitir que eles tenham uma vida possível depois de tudo o que aconteceu.
Um cachorro que foi atropelado pode continuar brincando. Uma cadela que perdeu os movimentos pode continuar recebendo carinho. Um animal que foi abandonado por causa de uma deficiência pode encontrar uma família.
E, às vezes, dignidade está justamente nessas coisas pequenas: uma cama limpa, uma fralda trocada, um espaço seguro, uma refeição e alguém que fique.
A campanha das fraldas nasceu para garantir parte desse cuidado.
E agora que a meta foi alcançada, o que fica é a prova de que, quando muita gente olha para aquilo que quase ninguém vê, até os cuidados mais invisíveis podem transformar vidas.