Filho do antigo xá do Irã é atacado com molho de tomate em Berlim

23 abr 2026 - 13h45

Líder da oposição monarquista no exílio, Reza Pahlavi visitou capital para tentar conseguir apoio para "mudança de regime" no Irã, mas acabou não sendo recebido pelo governo alemão.Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, foi atingido por um líquido vermelho nesta quinta-feira (23/04), enquanto caminhava pelas ruas de Berlim após uma coletiva de imprensa.

A equipe de Pahlavi afirmou que o líquido se tratava de molho de tomate.
A equipe de Pahlavi afirmou que o líquido se tratava de molho de tomate.
Foto: DW / Deutsche Welle

O manifestante que atirou o líquido foi detido pela polícia. Não foi divulgada a identidade nem a motivação do suspeito.

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"Um convidado da conferência de Imprensa Federal foi sujo na frente do edifício com um líquido vermelho, à primeira vista suco de tomate. Nossas forças detiveram em seguida um homem, que está passando por medidas policiais. O convidado não ficou ferido", informou a polícia.

Imagens mostraram a substância no pescoço e no ombro de Pahlavi, que não pareceu abalado com o incidente e, em seguida, acenou para apoiadores do lado de fora do prédio.

O incidente ocorreu em meio a uma viagem de Reza à Alemanha, que tem como objetivo conseguir apoio europeu para uma mudança de regime no Irã.

A visita em Berlim levou provocou a convocação de várias manifestações pela diáspora iraniana, tanto a favor quanto contra o herdeiro do xá, que vive no exílio nos Estados Unidos. A polícia da capital alemã mobilizou cerca de 800 agentes.

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Na coletiva, Reza, principal figura da oposição monarquista no exílio, pediu a retomada do que chamou de "intervenção humanitária" dos Estados Unidos em seu país de origem, além de criticar o atual cessar-fogo por oferecer, em sua opinião, um fôlego ao regime fundamentalista de Teerã.

Enquanto isso, na calçada oposta, um grupo de apoiadores de Pahlavi com bandeiras monárquicas gritava palavras de ordem em apoio ao líder opositor, que aspira chefiar um governo de transição no Irã após um hipotético colapso do regime dos aiatolás.

Governo alemão não se reunirá com Pahlavi

Exilado desde a Revolução Islâmica de 1979, Pahlavi, de 65 anos, filho do antigo xá Mohammad Reza Pahlavi (1919-1980) tinha na sua agenda em Berlim um encontro com deputados do Parlamento Alemão (Bundestag). Ele afirmou que pretendia instá-los a pressionar para que o governo germânico abandone o que qualificou como política de "apaziguamento" diante de Teerã.

Em Berlim, Pahlavi deve se encontrar com Armin Laschet, deputado do conservadora União Democrática-Cristã (CDU), o mesmo partido do chanceler federal Friedrich Merz, bem como com figuras de outros partidos.

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No entanto, não havia planos para que ele se reunisse com algum membro do governo alemão.

Quando questionado sobre o motivo, o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, disse que Pahlavi estava vindo à Alemanha a título particular e que "também estava participando de discussões políticas", mas acrescentou que "não cabia ao governo federal manter tais conversações".

Filho do xá diz que é preciso continuar a combater regime de Teerã

Na sua coletiva, Pahlavi disse que a Europa enfrenta uma escolha "entre um regime moribundo que nos coloca a todos em perigo e um Irã livre".

"O regime nunca esteve tão frágil como agora", acrescentou. "É uma fera ferida."

"Se vocês acham que podem fazer as pazes com esse regime, estão redondamente enganado", continuou ele durante a coletiva de imprensa. "Nunca haverá estabilidade, mesmo que uma versão diluída desse sistema sobreviva."

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Pahlavi ainda argumentou que não há pragmáticos nem reformistas entre os atuais líderes do Irã, dizendo que eles são simplesmente "rostos diferentes de um regime".

De acordo com o exilado iraniano, 19 presos políticos foram executados pelas autoridades iranianas nas últimas duas semanas. "O mundo livre fará algo ou assistirá ao massacre em silêncio?", questionou.

O ex-príncipe herdeiro vem tentando se apresentar como uma figura capaz de liderar uma transição democrática caso a liderança do Irã seja derrubada.

Mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou a força que Reza tem junto à oposição iraniana. "Ele parece ser muito simpático, mas não sei como ele se sairia dentro do próprio país", disse Trump em janeiro, ainda antes de iniciar, junto com Israel, a ofensiva contra o Irã, em 28 de fevereiro.

Visita do pai de Pahlavi a Berlim Ocidental em 1967 foi marcada por assassinato

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Essa não foi a primeira visita de um membro da dinastia Pahlavi a Berlim.

Em 1967, o pai de Reza e então xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, visitou Berlim Ocidental com sua esposa, Farah. A presença na Alemanha Ocidental do então líder persa, que era criticado pela forma autoritária com que conduzia o próprio país, foi o estopim para uma série de protestos estudantis que acabaram em uma repressão violenta por parte da polícia berllinense e agentes de segurança do xá.

Em 2 de junho daquele ano, durante uma dessas manifestações, o estudante alemão Benno Ohnesorg, de 26 anos, foi morto ao ser alvejado pelo policial Karl-Heinz Kurras, que acabou absolvido pela Justiça.

A morte de Benno Ohnesorg foi um dos fatores para a radicalização do movimento estudantil alemão na década de 1960, que atingiu o ápice em 1968, mesmo ano em que protestos estudantis eclodiram em Paris, na França.

Quatro décadas depois, em 2009, documentos encontrados nos arquivos da Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental, revelaram que o policial Kurras atuava secretamente em Berlim Ocidental como informante da Stasi, a polícia secreta do regime comunista da Alemanha Oriental. No entanto, investigadores nunca conseguiram concluir se Kurras havia sido orientado pela Stasi a atirar no estudante.

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O xá do Irã foi derrubado do poder pela Revolução Islâmica em 1979. Com a ascensão do regime liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, a família de monarquistas se exilou na Europa e no Estados Unidos. Desde então, estão proibidos de retornar ao país natal.

Em 28 de fevereiro de 2026, um ataque de Israel e EUA ao Irã matou o então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que foi substituído pelo filho, o aiatolá Mojtaba Khamanei, pelo regime de Teerã.

fcl (DPA, EFE, DW, ots)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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