Ex-advogado de Trump é confirmado para o cargo de procurador-geral dos EUA

8 ago 2026 - 11h56

Todd Blanche é confirmado para chefia do Departamento de Justiça dos EUA após votação apertada. No cargo de forma interina desde abril, ele atuou no passado como defensor de Trump em uma série de processos criminaisO Senado dos Estados Unidos confirmou neste sábado (08/08) o ex-advogado pessoal do presidente Donald Trump, Todd Blanche, como procurador-geral do país, depois que os senadores republicanos ignoraram preocupações dos democratas sobre a politização do Departamento de Justiça.

Todd Blanche já vinha ocupando cargo de procurador-geral de forma interina desde abril
Todd Blanche já vinha ocupando cargo de procurador-geral de forma interina desde abril
Foto: DW / Deutsche Welle

Blanche - que já vinha exercendo a função de principal responsável pela aplicação da lei no país como procurador-geral interino - representou Trump como seu advogado particular em diversos processos criminais antes de ingressar no governo.

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O Senado, controlado por uma estreita maioria republicana, confirmou Blanche para o cargo por 50 votos contra 49. Apenas as senadoras republicanas Susan Collins e Lisa Murkowski se somaram aos democratas que votaram contra.

"Estou profundamente honrado pela confiança que o presidente Trump depositou em mim para dirigir o Departamento de Justiça", escreveu Blanche na rede social X.

Trump, que tem contornado convenções políticas americanas ao tentar submeter agências governamentais que deveriam ser independentes ao controle direto da Casa Branca, já disse considerar Blanche como uma "estrela".

Os democratas se opuseram à nomeação do advogado desde que a indicação se tornou pública e acusaram Trump de converter o Departamento de Justiça em um instrumento de guerra política.

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"Supõe-se que o procurador-geral seja o advogado do povo (…) O senhor Blanche continua atuando como o advogado pessoal do presidente, tratando o Departamento de Justiça como um escritório de advocacia que presta serviços a um único cliente: o presidente", disse nesta semana o senador Dick Durbin, o democrata de maior escalão no Comitê Judiciário do Senado dos EUA.

Havia dúvidas sobre se a Casa Branca conseguiria convencer um pequeno grupo de republicanos relutantes, cujo apoio era indispensável para obter até mesmo uma confirmação apertada.

Um dos principais obstáculos à confirmação de Blanche foi sua tentativa de criar um fundo de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,2 bilhões) para "indenizar" pessoas que Trump descreveu como "vítimas" de perseguição judicial.

Era provável que esse fundo incluísse os apoiadores do presidente que invadiram a sede do Congresso dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021, em uma tentativa de insurreição para impedir a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições de 2020. Outra iniciativa polêmica pretendia conceder imunidade fiscal ao Presidente republicano e às pessoas próximas dele.

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Atuação

Blanche conseguiu neutralizar qualquer potencial oposição significativa dentro do Partido Republicano ao emitir uma ordem por escrito que eliminava o polêmico fundo contra a "instrumentalização política" da Justiça.

O procurador ainda argumentou que o acordo de imunidade em relação a auditorias fiscais para o presidente republicano, seus dois filhos mais velhos e a Organização Trump só se aplicaria de forma retroativa a exercícios fiscais anteriores e não a futuras declarações.

Blanche atua como procurador-geral interino desde que Trump demitiu Pam Bondi do cargo em abril.

Desde então, Blanche tem estado intimamente ligado ao que os democratas classificam como uma campanha de "retaliação" do mandatário contra adversários. Pouco depois de assumir a liderança do Departamento de Justiça, em abril, o órgão acusou formalmente o antigo diretor do FBI James Comey, visto pelo presidente como um inimigo político.

O advogado também foi alvo de críticas por parte de vítimas de Jeffrey Epstein pela forma como conduziu a divulgação dos arquivos da investigação sobre o agressor sexual condenado, que no passado foi um amigo próximo de Trump.

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Antes de ingressar no Departamento de Justiça, Blanche também representou Trump em seu julgamento em Nova York relacionado aos supostos pagamentos para comprar silêncio da atriz pornô Stormy Daniels. O processo resultou, em 2024, na condenação criminal de Trump, a primeira de um ex-presidente americano.

Ele também integrou a equipe de defesa do presidente em dois processos federais movidos pelo promotor especial Jack Smith: um sobre o suposto manuseio inadequado de documentos sigilosos após deixar a Casa Branca e outro por tentar reverter os resultados das eleições presidenciais de 2020.

Ambos os processos foram arquivados depois que Trump venceu as eleições presidenciais de 2024.

jps (AFP, Lusa)

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