Eventos extremos já alteram o desenvolvimento e a saúde das crianças no RS

Segundo especialista, a combinação de fatores como água contaminada, aglomeração em abrigos e interrupção de serviços contribui para um cenário assistencial mais complexo

6 mai 2026 - 09h21

Os efeitos das mudanças climáticas e dos eventos extremos já integram a rotina dos serviços de saúde e impactam diretamente o cuidado com crianças no Rio Grande do Sul. O tema ganha destaque na programação do Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria, promovido pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), que reunirá especialistas para analisar de que forma enchentes, ondas de calor e alterações ambientais vêm modificando o perfil das doenças, o acesso aos serviços e o desenvolvimento infantil no estado.

Foto: Freepik / Porto Alegre 24 horas

A abordagem será aprofundada em dois momentos da programação de sexta-feira, com uma conferência dedicada à pediatria ambiental no contexto gaúcho, seguida de um painel que examina os efeitos diretos dos eventos extremos na infância. Entre os pontos discutidos estão mudanças no perfil epidemiológico, dificuldades no acesso à assistência e repercussões no desenvolvimento físico e emocional das crianças.

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O 2º secretário da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), João Ronaldo Mafalda Krauzer, explica que as consequências desses episódios já são perceptíveis no cotidiano da prática pediátrica. "Ao analisar as enfermidades relacionadas às recentes alterações climáticas no Rio Grande do Sul, especialmente após as enchentes, observamos aumento significativo de doenças como leptospirose, gastroenterites, arboviroses e infecções respiratórias. Além disso, doenças preveníveis como hepatite A e tétano também passaram a ocorrer com maior frequência, especialmente em populações mais vulneráveis. Outro ponto importante é o crescimento dos problemas de saúde mental nas crianças, que também merecem atenção especial", afirma.

Segundo o especialista, a combinação de fatores como água contaminada, aglomeração em abrigos e interrupção de serviços contribui para um cenário assistencial mais complexo. Doenças como dengue, influenza e COVID-19 também apresentaram aumento após eventos extremos, evidenciando a necessidade de estratégias mais integradas de prevenção e resposta.

Krauzer ressalta ainda a importância de avançar na preparação do sistema de saúde diante da recorrência desses episódios. "Ainda não estamos totalmente preparados para lidar com eventos climáticos extremos de forma contínua, especialmente no que diz respeito à saúde mental, ao desenvolvimento infantil e ao controle de doenças típicas desses períodos. É fundamental investir em protocolos específicos, fortalecer o trabalho multidisciplinar e ampliar a integração entre saúde, educação e assistência social", destaca.

O Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria se consolida como um espaço estratégico de atualização científica e troca de experiências, trazendo à pauta temas que extrapolam o ambiente clínico e dialogam diretamente com a realidade vivida pela população. A discussão sobre mudanças climáticas amplia o olhar sobre a saúde infantil, considerando fatores ambientais, sociais e estruturais que influenciam o cuidado.

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Mais informações sobre a programação e inscrições estão disponíveis no site oficial do evento www.gauchopediatria.com.br/home.asp

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