Trends literárias estimulam a leitura entre jovens no Brasil

6 mai 2026 - 10h41
(atualizado às 11h13)

Número de jovens que compraram livros cresceu no ano passado. Perfis sobre literatura em redes sociais abrem as portas desta arte para o público.Para aqueles que dizem que as tecnologias digitais vão tomar o lugar dos livros, o Brasil tem mostrado que essa história pode ser diferente. De 2024 para 2025, o país ganhou 3 Milhões de novos leitores, segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros.

Realizada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, a pesquisa indica que, na prática, 18% da população comprou ao menos um livro em 2025, um aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior. O maior crescimento foi registrado entre os jovens adultos, de 18 a 34 anos, que avançaram 3,4 pontos porcentuais em comparação ao registrado 2024.

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Esses dados indicam que a internet pode estar influenciando esse cenário. Fenômenos como "BookTok", uma subcomunidade do TikTok voltada para a leitura, e perfis literários têm popularizado obras nacionais e internacionais.

"Você encontra pessoas que leem um livro que, aparentemente, se você estivesse, sei lá, andando na livraria, não te chamaria atenção. Mas alguém que parece que poderia ser seu amigo fala: 'Nossa, que legal esse livro. Ele mexeu comigo por causa disso, disso, disso. E é um livro muito bom'", explica a criadora de conteúdo literário Beatriz Paludetto.

Paludetto acredita que esse movimento traz a sensação de proximidade entre influenciador e público, ajudando as novas gerações a se identificarem com as experiências alheias e a encontrarem conforto na literatura.

Redes sociais, juventude e literatura

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Essa também é a opinião da presidente da Câmara Brasileira do Livro, Sevani Matos. "As redes sociais se tornaram uma porta de entrada importante para novos leitores. Criadores de conteúdo, recomendações online e comunidades virtuais são os três principais motivos que possibilitam a ampliação do alcance da literatura, especialmente entre os mais jovens".

Segundo a pesquisa Panorama do Consumo, 57% dos consumidores de livros dizem acompanhar algum conteúdo relacionado à literatura nas redes sociais, enquanto 56% afirmam comprar livros por lá.

Essa relação com as redes, no entanto, não significa que o produto adquirido também é digital. Ao serem questionados, quatro em cada cinco entrevistados afirmaram que o último livro comprado por eles havia sido um exemplar impresso.

Luz no fim do túnel para as livrarias

O crescimento da presença digital de conteúdos literários não significa uma ameaça para as livrarias. Apesar de 49% dos consumidores preferirem comprar online, outros 44% ainda priorizam adquirir livros presencialmente. Dentre os motivos citados, estão o desejo de ver e sentir a obra impressa antes de realizar a compra e a preferência por ter o livro em mãos logo após o pagamento, sem necessidade de aguardar pela entrega.

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Por essas e outras razões, é possível dizer que as livrarias ainda ocupam um lugar especial no coração dos leitores. Ainda de acordo com a pesquisa Panorama do Consumo, esses locais são compreendidos como espaços para "relaxar e explorar sem pressa" e são oportunidades para os consumidores se conectarem com cultura e novos conhecimentos.

Os próprios donos de livrarias já entenderam o recado. Atualmente, o negócio não pode ser, somente, sobre a venda de livros. "Aqui, no nosso caso, planejamos pensando numa experiência sensorial completa. Então, desde essa luz gostosa em que estamos, uma música baixinha, um cheiro de café, uma poltrona, um tapete… tudo isso forma mais do que um espaço: é um lugar", relata Luciana Gil, que é livreira e sócia da livraria Bibla.

Considerando todo o carinho e dedicação envolvidos e os benefícios da compra presencial, não é à toa que 43% dos brasileiros afirmam que ainda frequentam livrarias ao menos uma vez por mês.

Leitura e compra de livros

Mesmo com uma tendência positiva no consumo de livros, o Brasil possui ainda uma grande parcela da população que não lê livros. A mais recente edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, mostrou que, em 2024, 53% dos entrevistados se consideraram "não-leitores", contra 47% dos leitores. Em 2019, eram 52% leitores e 48% não-leitores.

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Foi a primeira vez na pesquisa realizada desde 2007 que a parcela dos que não leem livros superou a daqueles que recorrem à literatura nos momentos de lazer. O único segmento da população brasileira que não teve queda no número de leitores foi nas faixas etárias de 11 a 13 anos e de mais de 70 anos.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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