Ao comentar novamente a repercussão do documentário de Rafa Kalimann, o cantor Nattan fez uma reflexão que chamou a atenção de muitos pais e mães. O artista reconheceu que poderia ter estado mais presente em alguns momentos após o nascimento de Zuza, primeira filha do casal, e admitiu que hoje faria escolhas diferentes.
Em seu relato, Nattan contou que também enfrentava inseguranças típicas da paternidade de primeira viagem. Sem ter tido uma referência paterna, afirmou que muitas vezes se sentia perdido diante das responsabilidades e mudanças que surgiram com a chegada da filha.
A fala do cantor trouxe um olhar para uma questão que faz parte da realidade de muitas famílias: a importância da presença e do apoio emocional do parceiro durante o puerpério e os primeiros meses de vida do bebê.
Nattan desabafa sobre paternidade
Para a neurocientista e analista emocional especialista em traumas, Telma Abrahão, o reconhecimento feito por Nattan é significativo porque mostra uma experiência comum entre muitos casais, embora nem sempre seja compartilhada publicamente. "Quando uma mulher engravida e, depois, se torna mãe, ela precisa muito de segurança, de cuidado e, principalmente, do apoio do companheiro. Nos primeiros meses, o bebê é extremamente dependente dela, mas a presença do pai ou do parceiro faz com que essa mulher se sinta mais calma, mais tranquila e emocionalmente amparada", explica.
Segundo a especialista, é natural que muitas mães passem por períodos de maior sensibilidade emocional durante essa fase. "É completamente compreensível que a Rafa tenha se sentido mais vulnerável e mais sensível. Isso faz parte desse momento de transformação profunda que a maternidade provoca. E é muito positivo quando existe a capacidade de olhar para trás, reconhecer os erros e entender que algumas atitudes poderiam ter sido diferentes", afirma.
Telma destaca que o suporte emocional oferecido à mãe não beneficia apenas a mulher, mas influencia diretamente o ambiente em que a criança está crescendo. "Isso é importante não apenas para a mãe, mas também para o bebê e para toda a dinâmica familiar. Diversas pesquisas científicas mostram o quanto os primeiros anos de vida são determinantes para o desenvolvimento emocional da criança. O bebê percebe o ambiente ao seu redor. Ele sente se é bem-vindo, desejado, amado e acolhido."
Emoções da mãe
A especialista ressalta ainda que o estado emocional da mãe pode impactar diretamente a construção do primeiro vínculos afetivo do filho. "É fundamental observar como está o emocional dessa mulher que cuida do bebê. Ela está feliz? Está sobrecarregada? Está triste ou se sentindo sozinha? Tudo o que essa mãe vive emocionalmente influencia a construção dos primeiros vínculos da criança. Por isso, o papel do pai é estar presente, oferecendo apoio emocional, acolhimento e parceria nesse período tão bonito, mas também tão desafiador da vida de uma mulher", conclui.
As declarações de Nattan também mostram uma realidade cada vez mais presente entre os homens: o aprendizado da paternidade acontece ao longo do caminho. Reconhecer dificuldades, inseguranças e oportunidades perdidas não muda o passado, mas pode contribuir para conversas importantes sobre parceria, cuidado e presença dentro da família.
* Texto com informações de assessoria.