Estudo sobre primatas da Amazônia rende prêmio internacional a pesquisador brasileiro

Pesquisador brasileiro é premiado internacionalmente por estudos sobre uacaris na Amazônia. Pesquisa contribui para conservação da biodiversidade e dos primatas.

25 jul 2026 - 12h09
(atualizado às 12h16)

A ciência produzida na Amazônia ganhou reconhecimento internacional com a premiação do pesquisador brasileiro Felipe Ennes Silva, especialista no estudo dos uacaris da Amazônia. O cientista recebeu o prêmio Early Career Achievement, concedido pela American Society of Primatologists (Sociedade Americana de Primatologia), distinção destinada a pesquisadores que, no início da carreira, apresentam contribuições relevantes para o avanço do conhecimento sobre primatas.

Pesquisador brasileiro recebe prêmio internacional por estudos com uacaris na Amazônia
Pesquisador brasileiro recebe prêmio internacional por estudos com uacaris na Amazônia
Foto: GOV.BR / Portal de Prefeitura

O reconhecimento evidencia a importância das pesquisas desenvolvidas na região amazônica, especialmente em um momento em que as mudanças climáticas e a transformação dos ecossistemas colocam diversas espécies sob pressão.

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Ao longo dos últimos anos, Felipe Ennes Silva dedicou sua carreira ao estudo dos uacaris, grupo de macacos encontrados exclusivamente na Amazônia e conhecidos pela face avermelhada, cauda curta e hábitos adaptados às florestas alagadas.

Pesquisa amplia conhecimento sobre a biodiversidade

Os trabalhos conduzidos pelo pesquisador buscam compreender como esses primatas evoluíram e de que forma diferentes populações se adaptaram às características da floresta amazônica ao longo do tempo.

Por meio de estudos em genética, ecologia e biologia evolutiva, as pesquisas revelaram que alterações naturais ocorridas na paisagem da Amazônia, como mudanças no curso dos rios, influenciaram diretamente a distribuição dos uacaris e a diversidade genética da espécie.

Essas informações ajudam a reconstruir a história evolutiva dos animais e oferecem subsídios para ações voltadas à preservação da biodiversidade brasileira.

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Mudanças climáticas desafiam espécies amazônicas

Uma das frentes mais recentes da pesquisa concentra esforços em entender como eventos climáticos extremos podem afetar a sobrevivência dos uacaris.

Secas prolongadas modificam a dinâmica dos rios, reduzem áreas utilizadas para alimentação e podem alterar o comportamento das populações, interferindo inclusive na reprodução e na disponibilidade de recursos naturais.

Os dados coletados em campo permitem aos pesquisadores avaliar os impactos das mudanças ambientais e produzir informações que poderão orientar estratégias futuras de conservação para espécies ameaçadas pelos efeitos do clima.

Relação com a Amazônia começou há mais de uma década

O contato de Felipe Ennes Silva com os uacaris teve início em 2012, quando passou a desenvolver pesquisas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas.

Desde então, o pesquisador vem acompanhando populações desses primatas em ambiente natural, reunindo informações sobre comportamento, alimentação, diversidade genética e adaptação ao ecossistema amazônico.

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Segundo ele, a enorme diversidade de primatas existente no Brasil — concentrada principalmente na Amazônia — torna a região um laboratório natural para compreender processos evolutivos e fortalecer políticas de conservação.

Trajetória acumula reconhecimento internacional

Graduado em Ciências Biológicas e mestre em Zoologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Felipe Ennes Silva concluiu o doutorado na Universidade de Salford, no Reino Unido.

Além de integrar o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, o pesquisador também atua como professor da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos.

O prêmio concedido pela Sociedade Americana de Primatologia soma-se a outro importante reconhecimento internacional recebido durante sua formação acadêmica: a Napier Memorial Medal, entregue pela Sociedade Britânica de Primatologia. Na ocasião, ele se tornou o primeiro pesquisador latino-americano a conquistar a honraria.

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Mais do que reconhecer uma trajetória científica, a premiação reforça a relevância das pesquisas desenvolvidas na Amazônia para compreender a biodiversidade brasileira e contribuir para a proteção de espécies que dependem da conservação da floresta para sobreviver.

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