O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anulou os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), candidato ao governo do Rio de Janeiro, no último domingo, 8. A sessão teve início na manhã desta quinta-feira, 8, e teve placar final foi de 5 a 2. Com o resultado, o estado não deverá ter segundo turno, o que abre caminho para vitória de Douglas Ruas (PL).
Votaram a favor o relator, Floriano de Azevedo Marques, e os ministros Estela Aranha, André Mendonça, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, presidente do Colegiado. Os magistrados também rejeitaram o pedido de desistência do político de um recurso apresentado contra a decisão que negou a sua candidatura, que estava sob judice.
Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior foram os primeiros a divergir dos demais. Seu parecer foi favorável à manter válidos os votos e garantir um segundo turno.
O que estava em discussão é justamente o destino dos votos recebidos pelo candidato, no último domingo, 4, e os efeitos que uma eventual invalidação terá sobre a totalização da eleição. Com a maioria, ocorrerá uma retotalização do resultado das urnas. Na prática, a quantidade de votos válidos na eleição são reduzidos, permitindo a Ruas ser declarado governador do Rio sem segundo turno no dia 25 de outubro.
A partir desse resultado, o TSE informa ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que realiza a retotalização dos votos. Isso ocorre porque, com a retirada dos votos de Garotinho da base considerada para a eleição, Ruas ultrapassará a marca de 50% dos votos válidos — percentual necessário para que um candidato seja eleito no primeiro turno, sem considerar votos brancos e nulos.
Como foi a votação
O primeiro a votar foi o relator do caso, o ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques. Ele deu início ao seu parecer afirmando que "é inevitável que a decisão que esse plenário tomará, interferirá no jogo eleitoral". Segundo ele, o que ficar decidido "frustrará parte das forças políticas e eleitores e atenderá a outra".
Em seguida, o magistrado relembrou que o candidato aceitou participar da disputa pelo governo do Rio de Janeiro mesmo com o registro de candidatura rejeitado e ainda sob judice. Depois, votou contra a desistência do recurso apresentado pelo político por ter impacto direto no pleito, mas foi favorável à anulação dos votos.
Posteriormente ao relator, foi a vez dos ministra Estela Aranha, André Mendonça e Dias Toffoli, que seguiram o parecer de Floriano. Toffoli declarou que "é inexistente" a capacidade política. "É desconsiderado a qualquer tempo, a qualquer hora. Então, por muito mais razão sendo condições de elegibilidade, não há como computar esses votos como votos válidos para nenhum fim".
Ruas recebeu 4.271.199 votos, correspondentes a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes (PSD) ficou com 3.706.984 votos, que equivalem a 42,76%. Garotinho, por sua vez, teve 274.411 votos, equivalentes a 3,17% dos votos válidos.
Garotinho apresentou a desistência por sua defesa logo após o primeiro turno. Se for aceita e os votos forem anulados definitivamente, será necessária uma nova contagem, mas o procedimento não é automático.
**Em atualização