Renan Santos insinua perseguição de Toffoli e diz não saber qual será seu 'futuro' nas eleições

Ministro Dias Toffoli suspendeu propaganda eleitoral digital e participação em debates do candidato do Missão

31 ago 2026 - 17h35
(atualizado às 18h17)
Renan Santos fala em ‘ditadura dentro do judiciário’ ao protestar contra decisão de Toffoli
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O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) classificou como "absurda" a decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu sua propaganda eleitoral digital e participação em debates. Durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 31, Renan afirmou se considerar "vítima de perseguição" e disse que ainda não sabe qual será seu "futuro" na disputa presidencial.

"Decisão monocrática absurda", disse ele, que afirmou ser alvo de uma "cassação branca" e contestou a legalidade da medida. "Mais um abuso, mais um passo à frente de uma espécie de ditadura dentro do Judiciário que vem interferindo não só no processo eleitoral, mas na vida de todos nós. Eu sou mais uma vítima disso", acrescentou.

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Segundo Renan, ainda não está definido qual será seu "futuro" na disputa. "Não sei o destino da minha campanha", afirmou. O candidato, no entanto, disse acreditar que a decisão será revertida.

Renan Santos durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 31, em São Paulo
Renan Santos durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, 31, em São Paulo
Foto: Portal Terra/Adrielle Farias

Candidato contesta decisão de Toffoli

A decisão de Toffoli teve como base irregularidades na declaração das redes sociais utilizadas pela candidatura durante a campanha. Renan e seu vice, Aroldo Medina, apresentaram o pedido de registro da chapa ao TSE em 7 de agosto, mas não informaram todos os perfis que seriam usados na propaganda eleitoral. A relação foi complementada somente 12 dias depois, em 19 de agosto, segundo o ministro.

Ao todo, 16 perfis foram apresentados posteriormente à Justiça Eleitoral. Segundo Toffoli, a informação fora do prazo é relevante porque contas não declaradas previamente podem continuar submetidas aos sistemas de recomendação das plataformas, permitindo que conteúdos sejam sugeridos a usuários que não acompanham a candidatura. O ministro considerou que a omissão poderia proporcionar uma vantagem à campanha durante o período em que os perfis ainda não haviam sido submetidos ao controle da Justiça Eleitoral.

Renan contestou a justificativa e afirmou que a campanha enfrentou problemas no sistema utilizado pelo TSE para o cadastro das redes sociais. Segundo ele, as falhas foram comunicadas ao Tribunal e outros candidatos também teriam passado por dificuldades semelhantes. O candidato disse ainda que a equipe apresentou a correção das informações antes de qualquer solicitação do Ministério Público.

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Ao comentar os efeitos da decisão, Renan afirmou que as restrições dificultam sua participação na eleição. Ele citou a suspensão das redes sociais e a impossibilidade de participar de sabatinas e debates e disse que a medida, na avaliação dele, representa uma tentativa de retirá-lo da disputa.

"Isso é uma demonstração muito clara de que a vontade dele, personalíssima dele, era retirar de nós o direito de participar desse processo ao qual nós temos chances reais e concretas de vencer", declarou. Segundo pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta segunda-feira, Renan tem 7,6% das intenções de voto no primeiro turno e aparece atrás de Lula (PT), com 43,4%; Flávio Bolsonaro (PL), com 33,7%; e Augusto Cury (Avante), com 7,8%.

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O candidato também questionou a alegação de que seus perfis continuariam sendo beneficiados pelos sistemas de recomendação das plataformas. Renan afirmou que o crescimento de suas redes sociais diminuiu e argumentou que outros políticos aparecem em recomendações semelhantes. "Sobre a recomendação da minha página, ele citou que foi recomendado na página do candidato Kim Kataguiri, mas curiosamente quando eu abro o perfil de Jair Messias Bolsonaro, as mesmas recomendações vocês podem checar para o candidato Nikolas Ferreira, para Flávio Bolsonaro e para Michelle Bolsonaro", afirmou.

Defesa prepara recurso contra medida

A defesa de Renan também contestou a decisão de Toffoli e afirmou que pretende recorrer. "Não temos dúvida que essa decisão é ilegal", afirmou Arthur Rollo, advogado especialista em direito eleitoral e responsável pela defesa de Renan. Segundo ele, a expectativa é que o caso seja analisado pelo TSE já nesta terça-feira, 1º. A defesa pretende protocolar ainda nesta segunda-feira um mandado de segurança para contestar a decisão.

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"Essa decisão foi proferida sem a gente saber. Em 30 anos de advocacia eleitoral, eu nunca vi uma decisão como essa, é um absurdo completo", disse Rollo. "O que nos surpreendeu foi a proibição em participação em debates e sabatinas. Por que proibir? Isso inviabiliza completamente a campanha do candidato", acrescentou.

O que Toffoli determinou?

Toffoli determinou a suspensão da propaganda eleitoral de Renan em sites, blogs, redes sociais e aplicativos de mensagens que não tenham sido informados à Justiça Eleitoral.

As 16 contas apresentadas fora do prazo também deverão ser suspensas pelas plataformas e retiradas de seus sistemas de recomendação. As empresas receberam prazo de seis horas para cumprir a ordem, sob pena de multa.

Como se trata de uma decisão cautelar, não implica que Renan tenha tido definitivamente o registro de candidatura negado. O processo de registro continua em análise. A suspensão dos debates é uma consequência das mesmas medidas cautelares impostas à campanha.

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Toffoli determinou que Renan e Aroldo Medina não participem de debates em rádio, televisão, podcasts ou outros meios de comunicação enquanto a determinação estiver valendo. A medida busca impedir que a chapa continue realizando atos de campanha enquanto a Justiça Eleitoral apura se houve uso irregular dos canais digitais.

Renan Santos e o Missão terão 24 horas para explicar ao TSE quando cada perfil foi criado, em que momento passou a ser utilizado para fins eleitorais e se existem outras contas, sites, blogs ou grupos de mensagens usados pela campanha que ainda não foram informados à Justiça.

Fonte: Portal Terra
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