Por que Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil?

Saída do País acontece dois dias após o candidato do PL à Presidência perder a eleição para o presidente Lula

27 out 2026 - 17h11
(atualizado às 17h13)
Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos após fugir do Brasil
Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos após fugir do Brasil
Foto: WILTON JUNIOR / Estadão

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu do Brasil e está nos Estados Unidos, segundo informações de duas fontes da agência de notícia Reuters. A fuga do País acontece dois dias após o candidato do PL à Presidência perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na segunda-feira, 26, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cancelamento de todos os passaportes emitidos em nome de Flávio, além de proibir o senador de "manter contato, por qualquer meio, direto ou por interprosta pessoa, com Willer Tomaz" no âmbito de uma investigação contra ele que tramita ⁠na Corte. O ministro ainda deu prazo de 24 horas para a entrega de passaportes de outras nacionalidades. Como o prazo não foi respeitado, os documentos foram cancelados na manhã desta terça-feira.

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A relação de Flávio com o empresário e advogado Willer Tomaz foi alvo de polêmicas na reta final do segundo turno das eleições. Os dois são amigos e teriam conexões entre empresas e plataformas de bets, viagens e até endereços. Outro ponto em comum entre ambos são as investigações, já que o senador é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, envolvendo justamente o advogado, a quem descreve como amigo. 

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Willer, por sua vez, é alvo de outra apuração por possível envolvimento no desvio de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ainda há outro nome entre os dois, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por uma fraude bilionária. Flávio já confirmou ter uma relação de "amizade legítima" com Willer e disse que "qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos".

Flávio comentou a situação em vídeo publicado em suas redes sociais. Segundo ele, a PF esteve presente na casa de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, na manhã de segunda-feira, durante visita. "Fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o País."

"A decisão de Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição", explicou Flávio. No caso, durante entrevista ao podcast norte-americano Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista Steven Crowder, Eduardo Bolsonaro disse: "Presumo que, se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país".

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Em nota, a campanha de Flávio afirmou na segunda que ele cumpriria a determinação de Moraes e que "nunca pensou em deixar o Brasil".

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Com a derrota na eleição presidencial, Flávio ficará sem um cargo político após 24 anos. Com isso, a partir do ano que vem, ele não terá mais mandato nem foro privilegiado. 

Flávio foi eleito para seu primeiro mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro, em 2022. Na época, ele tinha apenas 21 anos, mas já havia iniciado a vida pública aos 19 anos de idade, como assistente técnico da liderança do Partido Progressista Brasileiro (PPB), atual Progressistas, em Brasília. 

Nos anos de 2006, 2010 e 2014, Flávio foi reeleito para seu cargo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2016, ele tentou uma candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, mas não foi eleito. 

Em 2018, Flávio se candidatou ao Senado Federal, também pelo Rio de Janeiro, e conseguiu se eleger com quase 4,4 milhões de votos. Como o mandato para o Senado dura oito anos, ele ainda pode retomar sua cadeira na Casa até janeiro de 2027. 

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Investigações contra o senador

Caso Flávio tivesse sido eleito presidente da República, quaisquer investigações contra ele seriam paralisadas até que ele deixasse o cargo, já que a Constituição não permite que presidentes respondam por crimes cometidos fora do mandato.

Os procedimentos contra Flávio tramitam no STF em razão das regras de competência aplicáveis ao senador, que tem foro por prerrogativa de função nos casos previstos pela Constituição. Mesmo após deixar o cargo, Flávio poderá continuar sendo julgado pelo STF por crimes praticados durante o mandato e relacionados ao exercício da função, conforme entendimento firmado pela Corte em 2025. A eventual mudança de competência, porém, depende da análise de cada caso.

Entre as investigações, está o caso envolvendo o Banco Master e o filme Dark Horse, que retrata a vida de Jair Bolsonaro. O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento da produção.

Uma reportagem do Intercept Brasil revelou mensagens e planilhas apreendidas pela Polícia Federal (PF) que indicam que Flávio pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 131 milhões para financiar o filme, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos. Flávio nega irregularidades e afirma que não houve uso de dinheiro público na produção.

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O outro caso está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento vinculadas ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. O caso chegou ao Supremo em outubro após investigadores identificarem referências ao senador. Flávio também nega irregularidades na relação com o advogado.

Outro inquérito apura suspeita de calúnia contra o presidente Lula. A investigação foi autorizada por Moraes após uma publicação de Flávio na rede social X, em janeiro. A postagem atribuía ao presidente supostos vínculos com tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e apoio a terroristas. Em junho, a PF concluiu a investigação e apontou crime de calúnia. O caso foi encaminhado à Suprema Corte para as providências cabíveis.

Fonte: Portal Terra
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