Policiais Militares são acusados de obrigar suspeitos presos a vestirem camisetas do PT 

Secretaria da Segurança Pública afirma que não compactua com desvios; mãe de adolescente apreendido diz que camiseta não era dele

22 out 2026 - 12h06
(atualizado às 12h31)
PMs são acusados de obrigar suspeitos de tráfico a vestirem camisas do PT; vídeo foi usado por Derrite
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A Polícia Militar (PM) de São Paulo é acusada de obrigar três suspeitos de tráfico de drogas a usarem camisetas com os dizeres “Professoras e professores da Apeoesp com Lula", em apoio ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante uma abordagem em Piracicaba (SP), nesta quarta-feira, 21.

A polícia recebeu uma denúncia e encontrou dois homens, de 21 e 24 anos, e um adolescente de 17 anos, e apreendeu com eles drogas, uma arma de fogo e dinheiro. Antes de realizar a prisão e apreensão do menor, os PMs teriam abordado moradoras da região, exigido que elas entregassem as camisetas que usavam, em apoio a Lula, e obrigado os suspeitos a vestirem as peças. As camisetas tinham aparência de novas e eram idênticas.

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Senador eleito, Guilherme Derrite publicou vídeo nas redes sociais
Senador eleito, Guilherme Derrite publicou vídeo nas redes sociais
Foto: Reprodução/Instagram

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que não compactua com desvios, mas que não recebeu denúncia sobre o caso até o momento. (leia abaixo)

Um vídeo que mostra os suspeitos algemados, ao lado dos PMs, foi compartilhado pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), e recebeu um comentário do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Na legenda do post, ele parabenizou a ação e disse que “crime não pode ser relativizado”. Procurado, Derrite não se manifestou. 

Senador eleito, Guilherme Derrite publicou vídeo nas redes sociais
Foto: Reprodução/Instagram

Após a repercussão do vídeo, o PT acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para investigar o caso, e pede que a Polícia Federal abra inquérito para apurar fraude eleitoral e possíveis abusos contra o adolescente.

Mulheres teriam sido obrigadas a entregar camisetas a PMs

A abordagem policial aconteceu na Comunidade Vitória Pantanal, no Jardim Monte Líbano. Segundo a deputada estadual Professora Bebel (PT), ela irá apresentar denúncia à Corregedoria da PM. Ela esteve na comunidade e ouviu testemunhas do caso, que relataram que estavam no local usando camisetas com dizeres a favor do presidente e candidato à reeleição Lula (PT). As duas mulheres relataram agressões e que foram obrigadas a entregar as camisetas aos PMs.

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“O caso estará sendo registrado na Delegacia da Mulher pelas duas mulheres vítimas da ação ilegal dos policiais militares, e a deputada Professora Bebel levará o caso à ouvidoria da corporação, para que seja apurado e os policiais respondam pela ação", disse a assessoria de imprensa da deputada.

Segundo as mulheres, elas estavam saindo de casa quando os PMs fizeram a abordagem aos suspeitos, que já estavam algemados. A identidade delas não foi divulgada.

“Me perguntaram se morava ali e se também usava drogas. Disse que era moradora e que não fazia uso de drogas. Aí, olharam para mim e falaram: o que é essa camiseta? Quando viram que se tratava de uma camiseta pedindo votos para o presidente Lula, imediatamente pediram que a retirasse, assim como me xingaram, dizendo se não tinha um partido melhor para trabalhar", relatou uma das mulheres.

Ela disse que uma colega entregou a camiseta aos PMs porque estava usando outra blusa por baixo. Ela negou entregar a peça de roupa porque não tinha outra para vestir. “Foi aí que me deram um chute e foram até minha casa, para que eu retirasse a camiseta. Lá, pegaram mais uma camiseta, mas disseram que queriam cinco camisetas”, contou.

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Mãe de menor apreendido nega que camiseta fosse dele

A mãe de um menor que foi apreendido na ação da polícia afirma que a camiseta não era do filho, e que ele havia saído de casa usando outra peça de roupa. Em entrevista à TV Tododia, ela disse que o filho, de 17 anos, apareceu depois usando a camiseta de Lula, assim como os outros presos.

Ela também afirma que os policiais agrediram o adolescente e a outra filha dela, de 14 anos, que foi empurrada no peito ao tentar se aproximar do irmão. Segundo ela, a família também foi ameaçada.

O que diz a Polícia

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo afirmou que não compactua com desvios de conduta e pune com rigor casos comprovados. Segundo a pasta, não houve registros dos fatos relatados na Comunidade Vitória Pantanal até a manhã desta quinta-feira, 22, e as vítimas podem formalizar a denúncia em qualquer delegacia ou para a Corregedoria da Polícia Militar, para que os fatos sejam devidamente apurados.

Procurada, a Polícia Militar não se manifestou sobre o caso.

Ainda de acordo com a SSP, na mesma Comunidade Vitória Pantanal, a Polícia Militar prendeu em flagrante nesta quarta-feira, 21, dois homens, de 21 e 24 anos, e apreendeu um adolescente de 17 anos a partir de uma denúncia via 190 com a descrição dos três. 

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Foram encontradas 23 porções de cocaína com o adolescente e um revólver e mais 137 porções da droga com os adultos. Ao todo, foram apreendidas 160 porções de cocaína e R$ 340. O caso foi registrado como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e ato infracional no 2º Distrito Policial de Piracicaba. Os adultos permaneceram à disposição da Justiça e o adolescente ficou apreendido.

Fonte: Portal Terra
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