A convenção nacional do Partido Liberal (PL) confirmou neste sábado, 25, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Em seu discurso, Flávio falou em "honrar" o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar pela trama golpista. "E você vai colocar essa faixa de presidente em mim", disse.
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Na sequência, foi apresentada um vídeo de Bolsonaro pai feito em inteligência artificial, que pediu para que o eleitorado acolha a pessoa que ele escolheu para ser candidato a presidente.
Antes, Flávio foi apresentado ao público por sua esposa, Fernanda, que fez discurso com foco no eleitorado feminino, citando casos de violência contra mulheres.
Daniela Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa e também cotada para ser vice na chapa de Flávio, participou do evento, citando o "técnico" Jair Bolsonaro e falando em servir ao lado de Flávio.
'Bênção' de Michelle
Destaque do evento foi a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, madrasta de Flávio. Eles estavam rompidos até quinta-feira passada. Ela participou do evento, realizado na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, por meio de vídeo. A participação foi introduzida pela deputada Rosana Valle (PL-SP), que mencionou a "bênção" de Michelle.
A ex-primeira-dama justificou a ausência por estar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar por sua condenação na trama golpista. "Mas os nossos corações estão aí, sentindo a mesma energia que nós dois tantas vezes encontramos nos eventos do PL Mulher por todo o Brasil." Em recado direto a Flávio, ela disse: “Que Deus abençoe e proteja a sua candidatura.”
Houve ainda a participação remota de Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato, por vídeo, já que ele se mudou para o Estados Unidos após abandonar o cargo de deputado federal. Hoje, se voltar ao Brasil, ele será preso por conta de condenação no STF. Eduardo disse que Flávio está colocando uma "mira" na cabeça contra a "corja da esquerda", e falando também em narcotraficantes, além de fazer a referência ao presidente da Argentina, Javier Milei, presente no evento. O irmão disse ainda que a vitória de Flávio levaria à soltura de Jair Bolsonaro, à anistia dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro e à chegada da “onda azul da América Latina” ao Brasil.
Também por vídeo, o ex-vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PL) discursou e disse que, como o pai, o irmão estaria sendo atacado pelo "sistema tóxico da esquerda". Ele defendeu a candidatura de Flávio como uma oportunidade de “resgatar o Brasil do PT” e encerrou a mensagem em tom pessoal, destacando a confiança no irmão e desejando sabedoria e coragem para conduzir a campanha. Carlos será candidato ao Senado por Santa Catarina. Flávio se emocionou ao ouvir o irmão. O único irmão presente era Jair Renan, que disputará a cadeira de deputado federal também por Santa Catarina.
Presentes no evento, o governador paulista, Tarcísio de Freitas (PL), e o prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), fizeram falas contra a esquerda e críticas ao atual presidente, Lula.
Também com discurso crítico às políticas de esquerda, Milei disse que os "argentinos são profetas de um futuro distópicos". "Vivemos as consequências de tomar os caminhos do socialismo até o final", disse. "Os esquerdistas de m*** nos afundaram na pobreza." Para ele, Brasil ainda não viveu as "consequências" do que chama de "lixo socialista".
"Em nome do pai"
Antes de Flávio chegar ao palco, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, discursou e disse que Flávio foi escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para dar continuidade ao projeto político iniciado pelo ex-presidente da República. “Você é candidato em nome do seu pai e em nome de milhões de brasileiros que precisam de um Brasil mais forte”, declarou.
Ao longo de sua fala, houve momentos de gritos dos apoiadores por “volta, Bolsonaro”. Valdemar também fez elogios ao presidente da Argentina. Segundo ele, Milei “está devolvendo a esperança, a confiança e a prosperidade ao seu país” e tem mostrado que governos que valorizam “a liberdade, o mérito e a competência” constroem prosperidade.
Trajetória da campanha
A definição do nome de Flávio como representante do bolsonarismo ocorreu em dezembro do ano passado, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro anunciou que o filho seria o responsável por disputar o Palácio do Planalto em 2026. Jair não pode disputar a eleição por sua condenação pela trama golpista.
Desde então, entretanto, a campanha acumulou uma série de desafios. O senador precisou lidar com a repercussão do caso envolvendo o Banco Master, enfrentou uma crise pública com Michelle Bolsonaro, viu crescer a dificuldade para conquistar o eleitorado feminino, foi alvo de críticas relacionadas às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e ainda encontra obstáculos para atrair partidos do Centrão.
Até o momento, a tentativa de formar uma coligação ampla não avançou. O PP já indicou que permanecerá neutro no primeiro turno da disputa presidencial. Como integra a federação União Progressista com o União Brasil, a posição indica que a sigla também não irá declarar apoio à candidatura de Flávio. O Republicanos, legenda de Tarcísio de Freitas, também avalia a possibilidade de adotar a mesma estratégia.