Flávio tem mais votos 'anti-adversário' porque hoje Lula é governo, diz CEO da Nexus

Marcelo Tokarski avalia que peso dos votos pela rejeição é grande porque eleitorado está insatisfeito

13 out 2026 - 08h22
(atualizado às 09h01)
Flávio tem mais votos 'anti-adversário' porque hoje Lula é governo, diz Nexus
Flávio tem mais votos 'anti-adversário' porque hoje Lula é governo, diz Nexus
Foto: Montagem: Estadão Conteúdo

O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) tem mais eleitores “anti-Lula” do que Lula (PT) tem eleitores “anti-Bolsonaro”, aponta a pesquisa BTG-Nexus divulgada nesta terça-feira, 13. Esse cenário de votos por rejeição pode indicar um prejuízo para Flávio, segundo aponta o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.

Na avaliação do CEO, Lula tem uma rejeição maior por atualmente estar à frente do governo brasileiro. Isso mostra que mais eleitores atualmente têm vontade de trocar o governo atualmente, como ocorreu em 2022, quando Lula venceu as eleições contra Jair Bolsonaro (PL).

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Segundo a pesquisa, 81% dos eleitores de Lula votarão nele no segundo turno porque consideram ele o melhor candidato, enquanto os que votam em Flávio Bolsonaro por considerarem que ele é o melhor candidato são 71%. Dos eleitores de Lula, 15% votam apenas para derrotar Flávio Bolsonaro, e 23% dos eleitores de Flávio votam nele apenas para derrotar Lula. Sendo assim, 18% do total de eleitores votam por rejeição.

Isso significa que cerca de dois a cada dez eleitores – arredondando o número – vão às urnas para votar no candidato que menos desgostam, aponta o CEO da Nexus. Segundo ele, o percentual é relevante porque mais eleitores de Flávio Bolsonaro votam por rejeição a Lula, isso indica um voto “anti-adversário” mais forte em um dos lados.

“Se todos esses eleitores, numa hipótese, não aceitassem votar num dos dois candidatos, isso teria um prejuízo maior para o Flávio, porque ele tem mais eleitores com esse perfil. O Lula tem um pouco menos", avalia.

Esse comportamento, entretanto, já foi visto em 2022. "Muita gente votou em Jair, mesmo descontente com o governo dele com a condição da pandemia, porque não queria a volta do PT e do Lula ao poder. E muita gente votou no Lula em 2022 porque não queria a continuidade do governo Bolsonaro”, afirma Tokarski.

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“E por que o Lula hoje está com mais dificuldade em relação à eleição de quatro anos atrás? Porque justamente hoje ele é governo e tem mais gente do que tinha em 2022 querendo trocar o governo. Ou eleitores que já rejeitavam um pouco o Lula, mas acabaram votando nele em 2022, e que agora a rejeição ao Flávio Bolsonaro desses eleitores diminuiu e esses eleitores acabam votando no Flávio e não no Lula”, conclui.

Flávio aparece à frente de Lula em pesquisa

Na primeira pesquisa do Instituto Nexus sobre o 2º turno da eleição presidencial, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 52% em votos válidos – que não consideram os nulos, em branco e indecisos. Já Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, tem 48%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o cenário é de empate técnico. O levantamento, contratado pelo banco BTG Pactual, foi divulgado nesta terça-feira.

A pesquisa BTG-Nexus ouviu, por telefone, 2.002 eleitores com 16 anos ou mais em todo o território nacional. O intervalo de confiança é de 95%. O levantamento, registrado no TSE sob o protocolo BR-07997/2026, foi realizado entre os dias 10 e 12 de outubro.

Indecisos e ausentes

Os votos brancos, nulos e de pessoas indecisas são cerca de 7%, segundo a pesquisa BTG-Nexus. Em uma eleição apertada, a disputa pelos votos dessas pessoas é acirrada. “Se o Flávio conquistar, ele abre uma vantagem grande. Se o Lula conquistar, ele se aproxima muito do Flávio”, diz o CEO.

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No entanto, ele afirma que raramente isso acontece, porque nem sempre todos esses votos se convertem para um só lado. “Nunca ninguém converte todos os indecisos para um lado só. Vamos ver qual vai ser o comportamento desse eleitor”.

O absenteísmo, ou seja, pessoas que não foram votar, podem ter motivações diferentes, e que também influenciam no segundo turno. “Na minha visão, por mais que se possa mobilizar e convencer eleitores ausentes a comparecer, isso não tende a acontecer em um volume muito grande”, avalia.

“Portanto, o que o Lula precisa fazer, se ele quiser tentar reduzir a diferença, a vantagem que o Flávio tem, é convencer o eleitor que hoje ou está anulando o voto ou está votando no Flávio, é votar nele. Acho que não tem outro caminho”, aponta Tokarski.

Fonte: Portal Terra
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